O patrimônio total dos bilionários da América Latina subiu 498% entre 2000 e 2026, passando de US$ 117 bilhões para US$ 700 bilhões, segundo estudo do Observatório Fiscal Internacional divulgado nesta terça-feira, 14 de abril de 2026. A pesquisa foi encomendada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio da Plataforma Regional de Cooperação Tributária para a América Latina e o Caribe, e usa dados anuais da revista Forbes para analisar a evolução da riqueza na região e embasar a defesa de um imposto mínimo sobre grandes fortunas.
De acordo com informações do Poder360, o levantamento foi apresentado pelo economista francês Gabriel Zucman, diretor do observatório. O Brasil ocupa a presidência temporária da plataforma regional em 2025 e 2026.
Como o estudo mediu o avanço da riqueza dos bilionários?
O estudo considerou o patrimônio de pessoas com mais de US$ 1 bilhão ao longo do período de 2000 a 2026. Segundo o texto, os dados foram extraídos da lista anual de bilionários publicada pela Forbes. O levantamento informa que os valores nominais cresceram de US$ 117 bilhões para US$ 700 bilhões no intervalo de 26 anos.
A pesquisa ressalta, porém, que esse cálculo não considera a inflação dos Estados Unidos desde 2000. Com a correção pelo CPI, índice de preços ao consumidor norte-americano, os US$ 117 bilhões registrados em 2000 equivaleriam a US$ 229 bilhões em 2026. Nessa base, o aumento real do patrimônio dos bilionários latino-americanos foi de 206%.
Outro ponto destacado é que a comparação não inclui novos bilionários que passaram a integrar a lista ao longo do tempo. O estudo cita o exemplo de uma pessoa que tinha US$ 515 milhões em 2000 e alcançou US$ 1 bilhão em 2026 com a correção inflacionária: ela não aparecia na lista inicial, mas passou a constar na relação mais recente.
Qual imposto sobre patrimônio é defendido no estudo?
Gabriel Zucman defende a criação do Imer, sigla para Imposto Mínimo Efetivo sobre a Riqueza, voltado a pessoas com patrimônio superior a US$ 100 milhões, valor equivalente a R$ 500 milhões no texto original. A proposta central do estudo é aplicar uma alíquota de 1% ao ano sobre esse patrimônio.
Segundo a descrição apresentada, esse tributo não seria necessariamente adicional. O imposto de renda já pago seria descontado do total devido. O estudo também inclui simulações com alíquotas de 2% e 3%, além de cenários com uma linha de corte patrimonial mais alta, de US$ 1 bilhão.
“Quando o Brasil colocou a tributação dos super-ricos na agenda do G20, em 2024, transformou uma questão há muito ignorada em uma prioridade política”
A defesa do imposto parte do argumento de que pessoas muito ricas conseguem organizar seu patrimônio de modo a reduzir a renda tributável, o que resultaria, segundo Zucman, em alíquotas efetivas menores do que as pagas pelo restante da população.
“Bilionários enfrentam alíquotas efetivas menores do que o restante da população, pois podem estruturar sua riqueza de modo a ter pouca renda tributável”
Qual seria o impacto estimado para o Brasil?
O estudo projeta que o Brasil arrecadaria US$ 2,8 bilhões, o equivalente a R$ 14 bilhões, com uma alíquota de 1% sobre o patrimônio superior a US$ 100 milhões. Em um cenário com taxa de 3%, a arrecadação estimada subiria para US$ 9,4 bilhões, ou R$ 47 bilhões.
Além do Brasil, o material traz simulações para outros países da América Latina, embora os números detalhados desses países não tenham sido reproduzidos no texto-base. A encomenda da pesquisa ocorre no contexto da atuação brasileira na agenda de cooperação tributária regional.
- Crescimento nominal do patrimônio dos bilionários na América Latina: 498%
- Patrimônio total em 2000: US$ 117 bilhões
- Patrimônio total em 2026: US$ 700 bilhões
- Crescimento real com correção pela inflação dos EUA: 206%
- Proposta principal: imposto de 1% sobre patrimônio acima de US$ 100 milhões
- Estimativa de arrecadação para o Brasil com 1%: US$ 2,8 bilhões
- Estimativa de arrecadação para o Brasil com 3%: US$ 9,4 bilhões
O estudo, conforme relatado, sustenta a discussão sobre a tributação dos super-ricos com base no avanço patrimonial registrado nas últimas décadas. A proposta apresentada pelo observatório busca associar esse crescimento da riqueza à formulação de mecanismos tributários mínimos para grandes patrimônios.