No início de março, o Parque Nacional do Albardão foi oficialmente criado no extremo sul do Rio Grande do Sul, abrangendo cerca de 1 milhão de hectares. Esta nova unidade de conservação se torna a maior do Brasil em termos de proteção marinha, com o objetivo de preservar a rica biodiversidade da região e restringir a pesca industrial, que tem ameaçado várias espécies em extinção, como a toninha. De acordo com informações do Mongabay Brasil, a criação do parque é uma resposta às crescentes pressões ambientais e econômicas na área.
O que torna o Albardão tão especial?
O Albardão é uma região de imensa diversidade biológica e geológica. A área terrestre do parque abriga dunas móveis, lagoas costeiras e depósitos milenares de conchas e fósseis marinhos. No oceano, a confluência das correntes do Brasil e das Malvinas enriquece as águas com nutrientes, atraindo uma variedade de espécies, incluindo aves migratórias, tartarugas-marinhas e grandes cetáceos.
“Ali existe um berçário natural funcionando há milhares de anos”, explica Maria Carolina Contato Weigert, diretora executiva do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).
Quais são os desafios e pressões enfrentados?
A pesca industrial representa uma ameaça significativa, capturando acidentalmente espécies ameaçadas como a toninha. As redes de emalhe, descritas como “muralhas de náilon submarinas”, são particularmente prejudiciais. A criação do parque visa reduzir essas perdas e aumentar a quantidade de peixes na região. Além disso, o turismo desordenado e projetos energéticos emergentes também pressionam o ecossistema local.
Como foi o processo de criação do parque?
A jornada para a criação do parque começou em 2004 e envolveu múltiplos estudos e consultas públicas. Em 2024, uma consulta pública trouxe à tona tensões com setores pesqueiros e agrícolas, levando à formação de um grupo de trabalho para reavaliar a proposta. O parque nacional agora protege a área mais sensível, enquanto uma área de proteção ambiental permite atividades como pesca artesanal.
Fonte original: Mongabay Brasil