O Parlamento Europeu adiou a votação sobre a implementação de um acordo tarifário com os Estados Unidos nesta segunda-feira (22/02). A decisão ocorre em meio a incertezas nas relações comerciais entre os dois blocos, exacerbadas pela recente batalha da Casa Branca com a Justiça dos EUA sobre a imposição de taxas a parceiros comerciais. De acordo com informações da DW Brasil, o eurodeputado Bernd Lange afirmou a necessidade de clareza por parte dos EUA sobre o respeito ao acordo.
Por que o acordo foi adiado?
No ano passado, a União Europeia e os Estados Unidos concordaram com uma tarifa máxima de 15% para a maioria das importações da UE. Contudo, a aprovação do acordo pelo Parlamento Europeu foi adiada devido às tensões sobre a Groenlândia e agora pelas recentes decisões tarifárias dos EUA. A política comercial do presidente Donald Trump sofreu um revés quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que a base legal para muitas das tarifas impostas era injustificada. A decisão limita o poder do presidente de impor tarifas sem a aprovação do Congresso.
Qual é a reação dos EUA?
Após a decisão da Suprema Corte, Trump anunciou novas tarifas de importação mundiais de 10%, elevando-as para 15% posteriormente. Ele afirmou que qualquer país que desafiar a decisão da Suprema Corte enfrentará tarifas ainda mais altas. Em sua rede social, Truth Social, Trump mencionou que países que exploram os EUA há anos serão confrontados com tarifas mais severas.
Como a UE está respondendo?
O eurodeputado Bernd Lange destacou que as novas tarifas poderiam significar taxas de até 30% sobre alguns produtos, apesar do limite de 15% acordado. A Comissão Europeia busca clareza sobre as implicações da decisão da Suprema Corte dos EUA para tomar novas decisões. Um porta-voz da Comissão afirmou a importância de manter a previsibilidade para empresas e consumidores em meio à incerteza. O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, participou de uma reunião com ministros do Comércio do G7 e deve discutir os desdobramentos com embaixadores da UE.
“Estamos tentando manter a previsibilidade para as empresas e para os consumidores diante de uma imprevisibilidade substancial”, disse um porta-voz da Comissão.
Fonte original: DW Brasil