O Parlamento da União Europeia adiou novamente, nesta segunda-feira (23), a votação do acordo comercial com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump anunciar uma “tarifa global” de 15% sobre mercadorias importadas. De acordo com informações da ANSA Brasil, a decisão ocorre após a Suprema Corte americana considerar ilegal a estratégia de Trump de usar a Lei de Poderes Econômicos Emergenciais para justificar tarifas impostas anteriormente. A adoção de tarifas generalizadas pelos EUA também acende um alerta no Brasil e demais países do Mercosul, cujas exportações podem ser impactadas pela nova política protecionista norte-americana e pela instabilidade no comércio global.
Por que a votação foi adiada?
O relator do texto no Parlamento Europeu, o socialista alemão Bernd Lange, destacou que “está claro que as bases legais mudaram”. Ele explicou que há novas tarifas diferentes das anteriores, e muitos produtos com alíquota de 15% não são cobertos pelo acordo assinado na Escócia.
“Então decidimos ter outro encontro na próxima semana. Precisamos de certezas, porém uma votação em 11 de março ainda é possível”, afirmou Lange.
Qual é o impacto das novas tarifas?
O acordo assinado na Escócia previa uma alíquota de 15% para produtos da UE entrarem nos EUA, enquanto os EUA teriam tarifa zero para acessar o mercado europeu em certas categorias. Antes, Trump havia anunciado uma alíquota de 30%, mas reduziu para 15% após compromissos europeus de investimento e compra de bens energéticos americanos. Trump criticou a sentença da Suprema Corte, afirmando que não precisa do aval do Congresso para aumentar tarifas.
Como o G7 está reagindo?
O protecionismo de Trump foi discutido em uma reunião do G7, onde o vice-premiê italiano Antonio Tajani afirmou que os EUA deram “garantias sobre a vontade de não criar instabilidade”. Fontes europeias relataram que Jamieson Greer, representante dos EUA para Comércio, afirmou que o objetivo é “manter o quadro tarifário anterior” à sentença, mas com “bases jurídicas diferentes”.



