Em alusão ao Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) intensificou, em março de 2026, as ações de monitoramento e vigilância para garantir que o recurso hídrico atue como uma barreira sanitária eficaz em todo o estado. O esforço faz parte de uma estratégia de atenção integral que une a vigilância ambiental e a assistência primária, visando assegurar que a água consumida pela população atenda aos padrões de potabilidade e segurança biológica.
De acordo com informações da Agência Paraná, o governo estadual opera de forma permanente por meio do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Vigiagua). Coordenado no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o programa é a política nacional voltada ao acompanhamento da qualidade da água distribuída à população, o que dá relevância ao modelo paranaense também no contexto de execução local de uma diretriz federal. O acompanhamento abrange todas as etapas do sistema de produção hídrica, desde a captação nos mananciais até o ponto final de consumo nas residências, incluindo estações de tratamento e reservatórios nos 399 municípios paranaenses.
“Água de qualidade não é apenas infraestrutura, é também saúde pública. Com água de qualidade, muitas doenças são evitadas”, destaca o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
Como funciona o programa de vigilância hídrica no Paraná?
O monitoramento é estruturado com base no Plano Estadual de Saúde (PES 2024-2027) e no Plano Estadual de Vigilância e Atenção à Saúde de Populações Expostas aos Agrotóxicos (PEVASPEA). A Sesa atua na identificação de vulnerabilidades hídricas e no controle de contaminantes químicos e biológicos. Para o quadriênio vigente, o governo estabeleceu metas para reduzir o percentual de formas coletivas de abastecimento consideradas inseguras, com o objetivo de baixar o índice de 57,20% para 53%.
A estratégia também prevê a ampliação da análise de resíduos químicos na água. A frequência das coletas para verificação de agrotóxicos passará de anual para semestral em todo o território paranaense. Além disso, o espectro de pesquisa será expandido de 249 para 337 diferentes tipos de substâncias, superando os 40 parâmetros mínimos exigidos pela legislação federal de potabilidade. Essa medida visa garantir que mananciais próximos a áreas agrícolas permaneçam seguros para o consumo humano.
Quais são as iniciativas para a saúde no meio rural?
Para alcançar as populações mais isoladas, o governo estadual implementou o projeto Mais Saúde no Campo. Esta iniciativa integra a Vigilância Ambiental e a Atenção Primária à Saúde do Trabalhador para atender cerca de 1,3 milhão de paranaenses que residem fora dos centros urbanos. Além do monitoramento técnico da água, os profissionais utilizam ferramentas de busca ativa para estratificação de risco de exposição a contaminantes químicos, levando a saúde pública até a propriedade rural mais remota.
Outro pilar fundamental é a distribuição gratuita de frascos de hipoclorito de sódio a 2,5%. Em 2025, o estado distribuiu 121 mil unidades, com previsão de elevar o montante para 157 mil frascos em 2026. O insumo é vital para comunidades que não possuem acesso direto à rede de água tratada ou em situações emergenciais de desabastecimento causadas por desastres naturais. A recomendação técnica é a diluição de duas gotas por litro de água, aguardando 30 minutos antes do consumo humano.
Quais doenças podem ser evitadas com o consumo de água tratada?
A ausência de tratamento adequado e a falha na vigilância hídrica podem facilitar a propagação de diversas patologias graves. O controle rigoroso da Sesa atua diretamente no combate a agentes patogênicos que causam sintomas como diarreia, vômitos, febre e desidratação. Entre as principais ameaças evitadas pela rede de vigilância estão:
- Doenças bacterianas: cólera, febre tifoide, shigelose (disenteria bacteriana) e infecções por Escherichia coli;
- Doenças virais: hepatites A e E, além de gastroenterites causadas por rotavírus ou norovírus;
- Doenças causadas por protozoários: giardíase, amebíase e criptosporidiose;
- Doenças parasitárias: esquistossomose e ascaridíase.
O fortalecimento da governança municipal é considerado o pilar central dessa estratégia. Cabe às secretarias municipais de saúde a alimentação constante do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), base usada pelo SUS para acompanhar esse tipo de controle em todo o país. Com a consolidação dessas políticas e investimentos, como os R$ 8,3 milhões aplicados em infraestruturas hospitalares regionais, o Paraná busca transformar o saneamento em uma ferramenta de justiça social e prevenção primária de doenças.


