A Polícia Científica do Paraná (PCIPR) e a Polícia Penal do Paraná (PPPR) concluíram, nesta semana, uma capacitação estratégica para formar 50 policiais especializados na coleta de material genético de detentos. A iniciativa visa transformar esses servidores em multiplicadores de conhecimento dentro das unidades prisionais, garantindo que o processo de identificação biológica seja expandido para todo o estado, auxiliando na elucidação de crimes e no fortalecimento do sistema de justiça criminal paranaense.
De acordo com informações da Agência Paraná, o treinamento ocorreu em duas etapas, abrangendo atividades teóricas em Curitiba e práticas no município de Piraquara. Com o novo arranjo institucional, a Polícia Penal assume a responsabilidade direta pela execução das coletas, enquanto a inserção técnica dos dados no Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG) permanece sob a coordenação rigorosa da Polícia Científica.
Por que a coleta de material genético é essencial para a segurança pública?
O uso de perfis genéticos é considerado um dos maiores avanços tecnológicos na investigação moderna. Essa ferramenta permite não apenas identificar suspeitos em casos sem testemunhas, mas também localizar pessoas desaparecidas, conectar crimes cometidos de forma seriada em diferentes regiões e elucidar inquéritos antigos que estavam paralisados por falta de provas materiais. O material genético coletado oferece uma prova técnica irrefutável para o sistema judiciário.
O secretário de Estado da Segurança Pública, Saulo Sanson, destacou que a medida reflete o compromisso com a modernização da política penal.
“A iniciativa demonstra o alinhamento entre as forças de segurança e o compromisso do Estado com o aprimoramento dos processos na política penal. Ao estruturar a coleta de perfis genéticos de forma contínua e qualificada, avançamos na integração de informações e fortalecemos a capacidade de investigação, com rigor técnico e em conformidade com a legislação”,
afirmou o secretário durante o anúncio da expansão.
Quais instituições paranaenses lideram este processo de modernização?
A força-tarefa é liderada pela Polícia Científica do Paraná e pela Polícia Penal do Paraná. Para a diretora-geral da PPPR, Ananda Chalegre, a integração representa um investimento direto na resolução de crimes e na prevenção da reincidência criminal. Ela aponta que o trabalho conjunto eleva a credibilidade das instituições e aprimora a gestão prisional, transformando as unidades penais em pontos ativos de auxílio à investigação policial.
Já o diretor-geral da PCIPR, Ciro Pimenta, ressaltou que, embora a Polícia Penal execute a coleta, o suporte técnico e a padronização dos procedimentos continuam sob a tutela da Polícia Científica. Essa supervisão é fundamental para garantir a qualidade biológica dos perfis que alimentam o banco nacional, evitando contaminações ou erros processuais que poderiam invalidar provas em tribunais futuramente.
Como foi estruturada a capacitação prática e teórica dos policiais?
O cronograma de formação foi dividido em dois dias intensivos de treinamento. No primeiro dia, as atividades teóricas foram sediadas no bairro Tarumã, em Curitiba, onde os servidores aprenderam sobre o uso de leitores biométricos e os protocolos legais que envolvem o tratamento de dados sensíveis. No segundo dia, a etapa prática foi realizada na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Segurança (PCE-US), localizada em Piraquara, onde os policiais aplicaram as técnicas de coleta em ambiente real.
A distribuição dos 50 novos especialistas capacitados seguiu o seguinte critério técnico:
- 27 policiais da Polícia Penal do Paraná (PPPR);
- 23 policiais da Polícia Científica do Paraná (PCIPR);
- Formação focada em multiplicadores para atuar em todas as regiões do estado;
- Uso de equipamentos de biometria de última geração;
- Padronização conforme as diretrizes do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na estrutura da Polícia Penal, o fluxo de trabalho será coordenado pela Divisão de Saúde, vinculada à Diretoria de Tratamento Penal. Este setor será responsável por garantir que todas as unidades do sistema prisional paranaense sigam o rigor técnico e a eficiência necessários para que o material genético seja coletado de forma humanizada e dentro dos prazos estabelecidos pela legislação penal vigente.