A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB), por meio de sua Gerência Executiva de Vigilância em Saúde, apresentou nesta terça-feira, 14 de abril, o novo Boletim Epidemiológico das arboviroses com dados atualizados até o início do mês. De acordo com informações do Governo da Paraíba, o estado contabilizou 1.831 casos prováveis de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti no decorrer de 2026, abrangendo registros de dengue, chikungunya e zika vírus até a 13ª Semana Epidemiológica.
O levantamento técnico aponta que, do total de notificações, 1.757 referem-se a casos de dengue, 69 tratam-se de chikungunya e apenas cinco são relativos à zika. Um dado relevante para a segurança sanitária local é a ausência de confirmações para a febre do Oropouche no período analisado. A concentração das ocorrências está situada majoritariamente nas 7ª, 1ª e 11ª Regiões de Saúde do território paraibano, áreas que recebem atenção prioritária das equipes de fiscalização e combate a endemias.
Quais são os números atuais das arboviroses na Paraíba?
Ao realizar um comparativo com o mesmo intervalo de tempo do ano anterior, os indicadores revelam uma melhora expressiva no cenário epidemiológico. A Paraíba alcançou uma redução de aproximadamente 30% nos diagnósticos prováveis de dengue e uma queda ainda mais acentuada, de 79%, nos registros de chikungunya. Entretanto, o boletim acende um alerta para o zika vírus, que apresentou uma elevação de 25% nas notificações em relação ao ciclo passado.
Em relação à mortalidade, o estado não possui óbitos confirmados por arboviroses até o momento em 2026. Contudo, a vigilância monitora três casos suspeitos de morte por dengue que seguem em fase de investigação laboratorial e clínica. Destes episódios sob análise, dois ocorreram no município de João Pessoa e um na cidade de Bayeux. A técnica Carla Jaciara, responsável pela vigilância das arboviroses na SES-PB, pondera que a predominância da dengue exige vigilância rigorosa.
Mais de 95% dos casos são de dengue, e isso exige que tanto os serviços de saúde quanto a população mantenham os cuidados. É importante que, ao apresentar sintomas, a pessoa procure atendimento para que o caso seja avaliado corretamente, evitando agravamentos.
Como o governo está atuando no combate ao mosquito?
Para sustentar a trajetória de queda nos índices, a administração estadual intensificou as parcerias com as gestões municipais. Entre as frentes de trabalho estabelecidas, destacam-se o emprego estratégico do fumacê em localidades com maior densidade de casos e a realização de treinamentos técnicos para a aplicação eficiente de larvicidas. Outra ferramenta tecnológica ampliada foi o uso de ovitrampas, que funcionam como armadilhas para monitorar a postura de ovos do mosquito e direcionar as equipes de campo.
O gerente operacional de Saúde Ambiental da SES-PB, Luiz Francisco de Almeida, esclarece que a cooperação entre as Gerências Regionais e as prefeituras é o pilar das ações preventivas. O foco atual reside na implementação do Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa), que fornece um diagnóstico preciso sobre a infestação predial em cada localidade. Segundo o gestor, essa metodologia permite que o controle do vetor seja feito de maneira mais racional e eficiente.
Estamos desenvolvendo ações em parceria com as Gerências Regionais e os municípios, com capacitações e implementação de estratégias como o LIRAa e as ovitrampas, que permitem avaliar a infestação do mosquito e direcionar melhor as ações de controle.
Quais os cuidados recomendados para a população?
Apesar do suporte governamental, a Secretaria de Saúde enfatiza que a participação cidadã é indispensável, uma vez que a maioria dos criadouros do mosquito se encontra em ambientes domésticos. A recomendação central permanece sendo a eliminação sistemática de qualquer acúmulo de água parada, ambiente essencial para a reprodução do vetor. Entre os pontos de atenção listados pela Vigilância em Saúde para a prevenção diária, destacam-se:
- Limpeza frequente de recipientes que possam acumular água;
- Vedação total de reservatórios, caixas d’água e tonéis;
- Descarte correto de lixo e objetos que possam reter líquidos;
- Uso de telas em janelas e aplicação de repelentes conforme orientação médica.
O monitoramento contínuo através do Boletim Epidemiológico permite que o estado ajuste suas políticas públicas conforme a evolução da 13ª Semana Epidemiológica. A gestão estadual reforça que o engajamento coletivo é a única forma de evitar que a redução de 30% nos casos de dengue seja revertida nos meses de maior incidência solar e chuvas isoladas, típicas da região.