A fabricante finlandesa de anéis inteligentes Oura está expandindo sua atuação para o mercado indiano com o lançamento do Ring 4. O movimento reflete a disputa global no mercado de dispositivos vestíveis (wearables), categoria de monitoramento de saúde que ganha força no Brasil e no mundo com o crescente interesse dos consumidores e a entrada de outras gigantes da tecnologia no segmento. A empresa busca desafiar rivais locais como a Ultrahuman em um mercado ainda em desenvolvimento e sensível a preços, devido à crescente oferta de opções de baixo custo. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (17/03/2026).
De acordo com informações do TechCrunch, o Ring 4 da Oura será vendido a partir de ₹28.900 (aproximadamente R$ 1.500), podendo chegar a ₹39.900 (cerca de R$ 2.100), além de uma assinatura mensal de ₹599 (aproximadamente R$ 32).
No mercado dos Estados Unidos, o anel tem um preço inicial de US$ 349, com uma assinatura de US$ 5,99. Em comparação, o Ring Air da Ultrahuman custa ₹28.499 (cerca de R$ 1.500), enquanto o novo Ring Pro é vendido por ₹42.990 (aproximadamente R$ 2.300).
Qual o tamanho do mercado de anéis inteligentes na Índia?
Apesar do lançamento de novos produtos, o mercado indiano de anéis inteligentes ainda é considerado pequeno. Dados da IDC (International Data Corporation, consultoria global de inteligência de mercado) mostram que, em 2025, houve uma queda de 30,6% nas vendas em relação ao ano anterior, com o preço médio de venda diminuindo 8,7%, atingindo US$ 159,7, à medida que marcas de menor custo expandem sua presença no país.
Vikas Sharma, analista sênior de mercado para dispositivos vestíveis da IDC, explicou que essa queda reflete o status relativamente novo da categoria na Índia. Para ele, os anéis inteligentes ainda são um produto de nicho, com conhecimento limitado e preços relativamente altos, mesmo com a disponibilidade de opções mais acessíveis. O segmento teve um impulso inicial como uma tendência tecnológica emergente, mas esse crescimento não se sustentou.
Quais os desafios para o crescimento do setor?
Segundo Sharma, o crescimento do segmento também foi limitado pela escassa concorrência, com poucos players atuantes e a falta de um ecossistema mais amplo para impulsionar a conscientização e a inovação.
No ano passado, a Ultrahuman liderou a categoria de anéis inteligentes na Índia, com uma participação de 30,4%, seguida pela Gabit, com 18,3%, de acordo com a IDC.
Qual a estratégia da Oura para se destacar?
A Oura está posicionando o Ring 4 como um dispositivo de saúde premium, combinando hardware com um serviço de assinatura que oferece insights personalizados sobre sono, atividade e recuperação. Essa combinação de posicionamento e serviços diferencia a empresa de muitos players locais, que competem principalmente com base no preço.
Qual a disputa entre Oura e Ultrahuman?
A rivalidade entre Oura e Ultrahuman se estende além da Índia, estabelecendo precedentes importantes sobre propriedade intelectual no setor de tecnologia de vestíveis. A empresa finlandesa processou a Ultrahuman nos Estados Unidos, afetando as vendas do Ring Air da empresa menor no país. A Ultrahuman, sediada em Bengaluru, informou que redesenhou o novo Ring Pro para contornar as patentes da Oura e o submeteu à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA para confirmar se pode ser legalmente importado.
O que revela o estudo da Oura sobre o sono dos indianos?
Juntamente com o lançamento, a Oura divulgou um relatório sobre os padrões de sono entre seus usuários na Índia, com base em dados coletados entre outubro de 2024 e setembro de 2025. A análise revelou que os usuários dormem em média seis horas e 28 minutos por noite, abaixo dos níveis recomendados, e passam menos tempo em estágios de sono restaurador do que as médias globais.
As descobertas destacam tanto a oportunidade quanto o desafio na Índia: embora a conscientização sobre saúde e bem-estar esteja aumentando, transformar isso em demanda por dispositivos premium baseados em assinatura em um mercado sensível a preços ainda está longe de ser certo.
Segundo Sharma, a escalabilidade dessa demanda dependerá da entrada de mais marcas no mercado e da diversificação de preços e posicionamento.