O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que vai avaliar a execução do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia nos dois primeiros domingos de maio, diante do risco de carga supervisionada mínima no sistema elétrico. A análise envolve os efeitos do feriado de 1º de maio sobre o domingo seguinte e, na semana posterior, a possível redução de carga associada ao Dia das Mães. De acordo com informações do Megawhat, a definição sobre a eventual execução do plano deve ocorrer em 30 de abril.
Segundo o ONS, o monitoramento ocorre por causa das condições de carga supervisionada muito baixa, principalmente em domingos com datas comemorativas importantes e em feriados prolongados. O tema foi tratado nesta sexta-feira, 24 de abril, durante a reunião do Programa Mensal da Operação (PMO) de maio, realizada em um único dia por causa de um feriado estadual no Rio de Janeiro.
Por que o ONS estuda aplicar o plano emergencial em maio?
O alerta do operador está relacionado à possibilidade de queda do consumo de energia em períodos de menor atividade econômica, o que pode ampliar o excedente de geração e exigir medidas para preservar a estabilidade do sistema. Na primeira semana, a preocupação envolve o impacto do feriado de 1º de maio sobre o domingo, 3 de maio. Na segunda, a redução da carga pode ocorrer em razão do Dia das Mães, celebrado em 10 de maio.
Durante a reunião, o ONS afirmou:
“Seguimos fazendo esse acompanhamento em função das condições de carga supervisionada muito baixa, principalmente que ocorre em domingos de festas importantes e em feriados prolongados”
Os cortes de geração conectada à distribuição já haviam sido discutidos no PMO anterior, no fim de março, com foco nos feriados da Semana Santa. Na ocasião, o debate também considerou a redução da atividade econômica e, por consequência, do consumo de energia elétrica.
O que prevê o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia?
O plano foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no fim do ano passado e permite o corte de geração distribuída de usinas do tipo III. A medida tem como objetivo preservar a estabilidade do sistema diante de excedentes de energia em situações críticas.
Podem ser alvo de corte as usinas de geração distribuída tipo III conectadas às redes das distribuidoras e que, por isso, não são geridas diretamente pelo ONS. De acordo com o texto original, esse conjunto soma cerca de 20 GW e inclui empreendimentos de menor porte conectados em média tensão.
- PCHs
- térmicas a biomassa
- parques solares de menor porte
- parques eólicos de menor porte
O plano, porém, só pode ser executado em situações emergenciais, quando a geração centralizada já não tiver mais margem para cortes adicionais. Ou seja, trata-se de uma medida excepcional, usada apenas quando outras alternativas de modulação já estiverem esgotadas.
Quais episódios anteriores motivaram o reforço desse monitoramento?
Segundo a reportagem, o ONS passou a trabalhar no plano após dois episódios em 2025 que ampliaram o alerta sobre a necessidade de acelerar discussões a respeito da modulação de recursos energéticos distribuídos, como as usinas GD III.
Em 4 de maio, um domingo, a carga líquida caiu a um nível tão baixo entre 10h30 e 11h que o operador precisou cortar 96% da geração renovável disponível e reduzir ao máximo a geração hidráulica possível. Ainda assim, restou apenas 1 GW de margem adicional para restringir fontes eólica e fotovoltaica.
Outro caso citado ocorreu em 10 de agosto, também um domingo, data em que foi comemorado o Dia dos Pais. Entre 13h e 13h30, a carga bruta chegou a 57,8 GW, dos quais 21,7 GW, ou 38%, foram atendidos por MMGD. Esses episódios passaram a servir de referência para o acompanhamento de datas em que o consumo tende a cair e a participação da geração distribuída se torna mais sensível para a operação do sistema.
Com isso, a decisão sobre maio ficará condicionada à avaliação do comportamento da carga e da necessidade de acionar, ou não, o mecanismo emergencial aprovado pela Aneel.