A Câmara Municipal de Campinas aprovou em segunda votação, nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, a prorrogação por dois anos dos contratos das atuais empresas de ônibus da cidade. A medida foi adotada porque a contratação das novas operadoras ainda não foi concluída, já que a licitação realizada em março de 2026 segue sem homologação. De acordo com informações do Diário do Transporte, os contratos atuais venceriam em 29 de abril.
O projeto foi aprovado com emenda que reduziu o prazo pretendido pela prefeitura. A gestão do prefeito Dário Saadi queria uma extensão de três anos, mas os vereadores limitaram a prorrogação a dois. O placar foi de 23 votos favoráveis e oito contrários ao projeto, além de 24 votos favoráveis e sete contrários à emenda. Agora, o texto segue para sanção do prefeito.
Por que os contratos de ônibus foram prorrogados em Campinas?
A prorrogação foi aprovada enquanto a prefeitura conclui a análise da licitação do novo sistema de transporte coletivo. Embora as melhores propostas financeiras já tenham sido declaradas, ainda restam etapas como a verificação de documentos, análise de impugnações e avaliação da viabilidade econômica e operacional das concorrentes.
Segundo o texto original, o processo também é cercado de controvérsias. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o TCE-SP, negou recentemente representações que buscavam barrar a continuidade do leilão. Ainda assim, a concorrência continua sendo alvo de questionamentos sobre a capacidade operacional de empresas classificadas e sobre os efeitos da eventual troca de operadores tradicionais do sistema.
O que está em disputa na licitação do transporte público?
A licitação do novo sistema de ônibus de Campinas prevê contratos de 15 anos, avaliados em R$ 11 bilhões ao longo do período. Com a futura contratação, as linhas serão divididas em dois lotes, Norte e Sul, com previsão de R$ 900 milhões em investimentos em frota nova, incluindo veículos elétricos.
Pelos critérios da concorrência, vence em cada lote quem oferecer a menor tarifa de remuneração, desde que a proposta seja aprovada pelo poder público. Essa tarifa não corresponde ao valor pago diretamente pelo passageiro, mas à remuneração recebida pela empresa por passageiro transportado, incluindo passagens, subsídios e outras receitas.
- Os contratos atuais venceriam em 29 de abril de 2026
- A prefeitura defendia prorrogação por três anos
- A Câmara aprovou extensão por dois anos
- A licitação segue sem homologação
- O novo modelo prevê dois lotes: Norte e Sul
Quais empresas apresentaram as melhores propostas?
No lote Sul, a proposta selecionada foi a da Sancetur, da família Chedid, com tarifa de remuneração de R$ 9,54, deságio de 14,90% sobre o teto de R$ 11,21 previsto no edital. No lote Norte, a melhor proposta foi a do Consórcio Grande Campinas, composto por empresas como Rhema e Nova Via, com tarifa de R$ 9,49, deságio de 19,3% sobre o limite de R$ 11,76.
O certame pode levar à saída de grupos empresariais que atuam há décadas no transporte municipal. O texto cita, entre eles, o Grupo Belarmino, da VB Transportes, além de operadores ligados à Onicamp Transporte Coletivo, Itajaí Transportes Coletivos e Expresso Campibus. A definição, porém, depende da conclusão do processo administrativo e da futura assinatura dos contratos.
Como foi a tramitação política da proposta?
A votação consolidou uma solução de transição para evitar descontinuidade no serviço até que a nova concessão seja finalizada. A aprovação em segunda votação encerra a análise legislativa da proposta, restando apenas a etapa de sanção pelo Executivo municipal.
Com isso, Campinas mantém temporariamente as empresas já em operação enquanto a prefeitura decide os próximos passos da licitação. O resultado preserva o funcionamento do sistema de ônibus no curto prazo, mas mantém em aberto a definição sobre quais grupos irão operar o transporte coletivo da cidade nos próximos 15 anos.