Novas espécies em cavernas de calcário no Camboja revelam riqueza da fauna - Brasileira.News
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Novas espécies em cavernas de calcário no Camboja revelam riqueza da fauna

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Interior de uma caverna de calcário com formações rochosas detalhadas e iluminação difusa destacando o ambiente natural.
Foto: paularps / flickr (by)

Uma expedição científica identificou, em março de 2026, uma ampla diversidade de animais, incluindo espécies ainda em descrição e registros inéditos no país, em cavernas e formações calcárias da província de Battambang, no oeste do Camboja. O levantamento foi conduzido por Fauna & Flora, em colaboração com o Ministério do Meio Ambiente do Camboja e especialistas de campo, com visitas a mais de 60 cavernas em dez colinas. De acordo com informações do Guardian Environment, o trabalho destacou a importância ecológica dos ecossistemas cársticos do sudeste asiático. Para o leitor brasileiro, o tema dialoga com debates sobre conservação em áreas calcárias e cavernas, presentes também no Brasil e protegidas por regras ambientais específicas.

O material publicado mostra que a pesquisa ocorreu em paisagens de calcário com cavernas, nascentes subterrâneas, dolinas e cursos d’água que desaparecem no terreno. Nesse ambiente, os pesquisadores encontraram espécies raras, animais recém-identificados e ao menos um primeiro registro nacional, reforçando o valor biológico dessas áreas e o potencial para novas descobertas. Esse tipo de levantamento é relevante internacionalmente porque ambientes cársticos costumam concentrar espécies adaptadas a habitats muito isolados, o que ajuda a orientar políticas de conservação.

O que os pesquisadores encontraram nas cavernas do Camboja?

Entre os destaques do levantamento está uma nova espécie de víbora-de-fosseta do gênero Trimeresurus, encontrada durante a pesquisa em Phnom Prampi, em Battambang, e que ainda está sendo descrita. O grupo também registrou uma nova espécie de lagartixa do gênero Gehyra, localizada em várias áreas cársticas do distrito de Banan.

Outra descoberta citada é a lagartixa Dixonius noctivagus, chamada de lagartixa-de-dedos-folha de Battambang, descrita como coberta por pequenas manchas semelhantes às de leopardo. Segundo o texto original, apenas duas espécies do gênero Dixonius haviam sido identificadas no Camboja, número inferior ao observado na vizinha Tailândia e no Vietnã, o que sugere a possibilidade de outras espécies ainda não registradas na região.

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Também foram encontradas quatro populações da lagartixa curvada Cyrtodactylus kampingpoiensis, identificadas como uma nova espécie. Ainda de acordo com os pesquisadores, o isolamento entre as formações calcárias pode significar que essas quatro populações sejam distintas em termos evolutivos, hipótese que dependerá de análises genéticas futuras.

Por que o ambiente cárstico de Battambang chama atenção?

As cavernas e colinas rochosas de Battambang formam um habitat singular, moldado pela dissolução do calcário ao longo do tempo. O resultado é uma paisagem com características físicas específicas, como:

  • grandes nascentes em cavernas;
  • dolinas;
  • cursos d’água subterrâneos ou que afundam no terreno;
  • formações isoladas que favorecem diferenciação biológica.

Esse isolamento ajuda a explicar por que diferentes populações de répteis e outros animais podem seguir trajetórias evolutivas próprias. O levantamento indica que esses ambientes funcionam como refúgios de biodiversidade, abrigando fauna adaptada a condições muito particulares.

Além das espécies em descrição, a equipe registrou no local a lagartixa gecko shiva, descoberta recentemente na Tailândia e descrita apenas em fevereiro de 2025. Segundo o material, este foi o primeiro registro da espécie em território cambojano.

Quais outros animais foram documentados durante a pesquisa?

O levantamento também reuniu imagens e registros de outras espécies presentes no ecossistema cárstico de Battambang. Entre elas estão um milípede da espécie Orthomorpha battambangiensis, uma píton-reticulada e a rã-arborícola marrom conhecida como Hong Kong whipping frog, observada na caverna de Phnom Prampi, uma área designada como patrimônio natural.

Outra espécie destacada foi a serpente voadora ornamentada, Chrysopelea ornata, conhecida por planar entre árvores ao achatar a caixa torácica e se mover pelo ar com ondulações. O texto também informa que sua coloração viva a torna popular entre colecionadores.

As imagens publicadas mostram ainda o trabalho de pesquisadores em levantamentos noturnos de herpetologia e a atuação conjunta de especialistas ligados a instituições como a La Sierra University, nos Estados Unidos, e a University Malaysia Sabah. O conteúdo reforça que a documentação desses habitats pode ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade regional e orientar ações de conservação em áreas de calcário no Camboja. No Brasil, pesquisas em cavernas e áreas calcárias também são relevantes para o licenciamento ambiental, a proteção da biodiversidade e o conhecimento de espécies ainda pouco estudadas.

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