Um estudo recente revelou que os chamados ‘superidosos’, indivíduos que mantêm uma memória excepcional à medida que envelhecem, possuem um segredo biológico fascinante: o dobro de neurônios imaturos em seus cérebros em comparação com pessoas da mesma idade com envelhecimento típico. De acordo com informações do ScienceAlert, a pesquisa também aponta para uma redução significativa na neurogênese em pessoas com Alzheimer. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Illinois Chicago.
A equipe de pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Illinois Chicago, analisou amostras de tecido hipocampal post-mortem de 38 cérebros de adultos doados à ciência. O objetivo era identificar marcadores de neurogênese e verificar se existiam diferenças notáveis entre os grupos. As amostras cerebrais foram divididas em cinco grupos: oito adultos jovens saudáveis (20 a 40 anos), oito adultos saudáveis mais velhos (60 a 93 anos), seis superidosos (86 a 100 anos), seis indivíduos com patologia pré-clínica de Alzheimer (80 a 94 anos) e 10 indivíduos com diagnóstico de Alzheimer (70 a 93 anos). Inicialmente, o tecido cerebral dos adultos jovens saudáveis foi analisado para estabelecer os caminhos da neurogênese no cérebro adulto.
Em seguida, os pesquisadores analisaram 355.997 núcleos de células individuais isolados do hipocampo, buscando três estágios diferentes de desenvolvimento celular: células-tronco, que podem se desenvolver em neurônios; neuroblastos, que são células-tronco em processo de desenvolvimento; e neurônios imaturos, que estão prestes a se tornar funcionais. Os resultados foram considerados notáveis pelos cientistas.
Qual a principal descoberta sobre os ‘superidosos’?
Orly Lazarov, neurocientista da Universidade de Illinois Chicago, destacou que “Superidosos tinham o dobro da neurogênese dos outros adultos mais velhos saudáveis”. Ela acrescentou: “Algo em seus cérebros permite que eles mantenham uma memória superior. Acredito que a neurogênese do hipocampo seja o ingrediente secreto, e os dados dão suporte a isso”.
O que os dados dos pacientes com Alzheimer revelaram?
Os dados dos indivíduos com patologia pré-clínica de Alzheimer e diagnóstico de Alzheimer forneceram informações cruciais. No grupo pré-clínico, mudanças moleculares sutis indicaram que o sistema de suporte ao crescimento de novos neurônios estava começando a falhar. No grupo com Alzheimer, uma queda clara nos neurônios imaturos foi evidente. Uma análise genética dos núcleos também mostrou que as células neurais dos superidosos apresentam aumento da atividade gênica ligada a conexões sinápticas mais fortes, maior plasticidade e fator neurotrófico derivado do cérebro, uma proteína crítica para a sobrevivência, crescimento e manutenção neural. Em conjunto, esses três fatores podem ser interpretados como resiliência.
Onde os resultados da pesquisa foram publicados?
Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Nature. A descoberta abre novas perspectivas para a compreensão do envelhecimento cerebral e o desenvolvimento de estratégias para preservar a função cognitiva ao longo da vida.