A NASA trabalha em um plano apelidado de “Big Bang” para tentar prolongar a operação das sondas Voyager 1 e Voyager 2, em meio à queda gradual de energia disponível nesses veículos espaciais lançados há 48 anos. A iniciativa foi detalhada após a Voyager 1 registrar uma queda inesperada nos níveis de energia durante uma manobra programada em 27 de fevereiro. De acordo com informações da The Register, com base em anúncio da própria NASA de 17 de abril, a agência pretende testar a solução primeiro na Voyager 2, em maio e junho, e depois, se houver sucesso, aplicá-la à Voyager 1 a partir de julho.
Segundo a NASA, a oscilação de energia na Voyager 1 elevou o risco de acionamento automático do sistema de proteção por subtensão da sonda, mecanismo que desliga componentes para preservar o equipamento e exige um processo de recuperação demorado e arriscado pela equipe de voo. Para evitar esse cenário, a equipe da missão decidiu desligar o experimento Low-energy Charged Particles, conhecido pela sigla LECP, com a expectativa de ganhar cerca de um ano de fôlego operacional para a nave.
O que é o plano “Big Bang” da NASA?
O “Big Bang” é descrito pela agência como uma medida mais ambiciosa de economia de energia para as duas sondas Voyager. A proposta consiste em trocar, de uma só vez, um grupo de dispositivos energizados, desligando alguns sistemas e substituindo-os por alternativas de menor consumo, de forma a manter as espaçonaves aquecidas o suficiente para seguir coletando dados científicos.
O apelido faz referência justamente a essa troca simultânea de vários elementos do sistema. A NASA avalia que essa abordagem pode ajudar a estender ainda mais a vida das duas sondas, que dependem de geradores termoelétricos de radioisótopos e enfrentam uma redução contínua da energia disponível.
Por que a Voyager 1 teve um instrumento desligado?
A decisão de desligar o LECP foi tomada depois que a Voyager 1 apresentou uma queda inesperada de energia durante uma manobra de rotação planejada. A agência informou que qualquer nova redução poderia disparar o sistema de proteção da sonda, levando ao desligamento automático de componentes.
Em comunicado citado pela NASA, o gerente da missão Voyager no JPL, Kareem Badaruddin, afirmou:
While shutting down a science instrument is not anybody’s preference, it is the best option available.
Mesmo com o instrumento colocado em um estado em que não pode cumprir sua função científica, a NASA optou por não desligar um pequeno motor que consome apenas 0,5 watt. Segundo a agência, isso preserva a melhor chance de religar o equipamento no futuro, caso seja possível obter energia extra.
Quando os testes serão realizados nas sondas?
De acordo com o cronograma informado pela NASA, o teste do “Big Bang” deve ocorrer primeiro na Voyager 2, entre maio e junho. Se a experiência funcionar como esperado, a mesma estratégia será tentada na Voyager 1 não antes de julho.
A agência também afirma que, se a solução der certo, existe até a possibilidade de o LECP da Voyager 1 voltar a ser ligado. Essa hipótese, porém, foi apresentada como uma chance condicionada ao sucesso do plano e à disponibilidade adicional de energia.
- Voyager 2: teste previsto para maio e junho
- Voyager 1: aplicação possível a partir de julho
- Objetivo principal: economizar energia e manter a coleta de dados
- Possibilidade adicional: reativação futura do LECP da Voyager 1
Qual é o contexto atual das missões Voyager?
A reportagem lembra que a Voyager 1 está a mais de 25 bilhões de quilômetros da Terra, o que torna inviável qualquer manutenção direta. A Voyager 2 enfrenta limitações semelhantes. As duas naves dependem de uma fonte de energia que, com o tempo, deixa de fornecer potência suficiente para manter todos os sistemas em funcionamento.
Inicialmente, a NASA esperava que as missões durassem os quatro anos necessários para alcançar Júpiter e Saturno. Hoje, 48 anos depois, ambas seguem ativas, embora em escala reduzida: das dez ferramentas científicas levadas originalmente por cada espaçonave, apenas três continuam operando em cada uma delas.
O novo esforço da NASA busca justamente retardar esse desgaste inevitável e ampliar, pelo maior tempo possível, a capacidade das Voyager de continuar enviando dados científicos do espaço profundo.