O Museu do Futebol, localizado em São Paulo, oficializou em março de 2026 o lançamento do projeto “Futebol é Mais”. Trata-se de um audioguia estruturado de maneira inédita no formato de um programa de rádio esportivo. A iniciativa, voltada para a nova exposição principal da instituição, tem como objetivo ampliar a acessibilidade para pessoas com deficiência visual que visitam o local e desejam interagir com o acervo.
De acordo com informações da Agência Brasil, a ferramenta traz uma abordagem de audiodescrição dramatúrgica que transforma a visitação em uma experiência narrativa imersiva. Embora a versão original em português já estivesse à disposição dos visitantes desde o segundo semestre de 2025, a oficialização do recurso agora marca a inclusão de novas opções de idiomas. Desta forma, turistas podem acessar o conteúdo com versões traduzidas para o inglês e para o espanhol.
A iniciativa também dialoga com um debate mais amplo sobre acessibilidade em museus e centros culturais brasileiros, ao adotar um formato que pode servir de referência para outras instituições do país.
Como funciona o audioguia em formato de rádio?
A dinâmica do sistema de acessibilidade foge do padrão tradicional de narrações institucionais de exposições. O roteiro do “Futebol é Mais” foi concebido para simular uma autêntica transmissão radiofônica. Durante o percurso pelas galerias, o visitante escuta a condução de dois âncoras, que atuam como apresentadores, e de uma repórter. Esse trio de vozes é responsável por guiar o usuário ao longo de todo o trajeto expositivo.
A escolha por essa estética sonora possui uma justificativa técnica e cultural estratégica. Historicamente, o rádio representa um dos principais meios de consumo de informação esportiva, especialmente para a comunidade com deficiência visual. Ao emular esse formato, a instituição aproxima o visitante da linguagem clássica das transmissões futebolísticas.
Qual é a visão dos desenvolvedores sobre o projeto?
A concepção do material exigiu um trabalho minucioso de planejamento para garantir a efetividade da audiodescrição. A diretora da Inclusive Acessibilidade e audiodescritora responsável pelo projeto, Georgea Rodrigues, explicou as etapas de criação e o impacto esperado pela ferramenta interativa ao longo dos meses de elaboração.
“Desenvolvemos esse projeto com muito cuidado ao longo de dois anos e, durante o processo, percebemos que um programa de rádio poderia agregar um valor interessante à audiodescrição, pois é um meio de comunicação muito consumido pela pessoa com deficiência visual. E fomos além: trabalhamos para que esse material também pudesse atender a um público maior. A ideia é que as pessoas sem deficiência visual ouçam a audiodescrição, achem interessante a experiência que propomos e compreendam um pouco mais como as pessoas com deficiência visual constroem as imagens com o recurso da audiodescrição. Nesse sentido, é uma ampliação do entendimento do que pode ser esse recurso de acessibilidade”
Quais ídolos são destacados na nova exposição?
Por meio da nova ferramenta narrativa oferecida pelo complexo cultural, os visitantes têm a oportunidade de descobrir fatos marcantes sobre a trajetória de alguns dos maiores nomes da história do esporte. A audiodescrição foca nas particularidades de ícones globais, enriquecendo o repertório histórico de quem percorre as salas da mostra principal.
Entre as personalidades retratadas no roteiro dramatúrgico, destacam-se informações sobre duas lendas do esporte nacional, abordando suas vidas para além dos gramados oficiais:
- Pelé: O material em áudio detalha o impacto cultural do Rei do Futebol, destacando o momento em que seu nome foi transformado em verbete de dicionário.
- Marta: A trajetória da Rainha do Futebol é abordada desde as origens humildes. A narração relata que ela jogou descalça durante um período da vida e utilizou cabeças de boneca como bola em brincadeiras no estado de Alagoas.
O esforço de modernização reforça o papel do museu como um polo de preservação da memória esportiva que busca integrar diferentes perfis de público. A expansão dos idiomas e a consolidação do formato dramatúrgico representam um passo relevante nas diretrizes de acessibilidade em espaços culturais no país.



