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Mulheres ocupam 13% das vagas na construção civil brasileira em 2025

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A construção civil brasileira registrou um saldo positivo de 86.087 novos empregos formais em 2025, dos quais 11.400 vagas foram ocupadas por mulheres, representando 13,24% do total. Em um setor onde quase 90% da força de trabalho ainda é masculina, as mulheres que chegaram à liderança têm algo em comum: não esperaram o espaço estar pronto, elas ocuparam.

De acordo com informações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), os dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho, mostram que os homens responderam por 74.687 postos de trabalho, equivalente a 86,76% das vagas criadas no setor. A CBIC é uma das principais entidades de representação da construção civil no país, e o Novo Caged reúne informações sobre admissões e desligamentos no mercado formal de trabalho.

Como a presença feminina impacta a qualidade das decisões no setor?

Para Ana Cláudia Gomes, vice-presidente de Responsabilidade Social e presidente da Comissão de Responsabilidade Social da CBIC, ampliar a presença feminina nos níveis hierárquicos mais altos é fundamental para transformar o setor estruturalmente. “Quando a alta gestão passa a enxergar a mulher como parte da estratégia, e não apenas como inclusão, a transformação cultural acontece de forma mais consistente”, afirmou.

Maria Eugênia Fornea, presidente da Ademi-PR, destaca que ampliar a presença feminina não é apenas uma questão de representatividade, mas de eficiência. “Quando mulheres ocupam posições de liderança, os debates ganham mais profundidade, mais rigor técnico e uma visão mais integrada dos problemas”, disse.

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Quais são as trajetórias que abrem caminhos para outras mulheres?

As histórias por trás dos números mostram que a presença feminina no setor resulta de trajetórias marcadas por consistência, preparo e permanência em um ambiente ainda predominantemente masculino. Ana Rita Vieira, presidente do Sinduscon Joinville, entidade que representa a indústria da construção civil na maior cidade de Santa Catarina, filha de engenheira, cresceu em canteiros de obras e nunca enxergou o setor como inacessível.

“Nunca vi a construção como um ambiente onde as mulheres não pudessem estar. Para mim, ocupar esse espaço sempre foi algo natural”, afirmou Ana Rita. Outras trajetórias, no entanto, foram marcadas por desafios mais explícitos.

Elissandra Candido Alves Silva, presidente do Sinduscon-SF, destaca que a ascensão profissional ainda exige esforço redobrado. “Minha trajetória foi construída com muito preparo e consistência, mas também enfrentando barreiras que ainda persistem, como a necessidade de provar competência e quebrar paradigmas culturais”, disse.

Quais desafios ainda limitam a participação feminina no setor?

Apesar dos avanços, o setor ainda convive com barreiras que limitam a participação feminina, especialmente nos espaços de decisão. A mudança, embora em curso, ainda acontece em ritmo gradual.

Ieda Vasconcelos, economista da CBIC com mais de quatro décadas de atuação, acompanha essa evolução de perto. “Gostaria muito de ver crescer mais a participação feminina na construção, que apesar dos avanços ainda é muito baixa”, afirmou.

À medida que mais mulheres passam a ocupar posições estratégicas, cresce também a percepção de que a diversidade impacta diretamente a qualidade das decisões. Essa visão dialoga com um momento de transformação da própria construção civil, cada vez mais pressionada a inovar, incorporar tecnologia e buscar soluções mais eficientes.

Qual é o legado que as líderes querem deixar para as próximas gerações?

Mais do que conquistar espaço, as mulheres que hoje lideram na construção civil compartilham um compromisso comum: garantir que esse avanço seja contínuo e coletivo.

“Não espere se sentir totalmente pronta para começar. A confiança se constrói ao longo do caminho, com prática e persistência”

Para Elissandra, o movimento precisa seguir em expansão. “Cada espaço conquistado abre caminho para outras mulheres. Temos a responsabilidade de avançar ainda mais e ampliar essas oportunidades”, destacou.

Maria Elizabeth Nascimento, vice-presidente da CBIC, deixou uma mensagem de persistência: “Para as mulheres que trabalham na construção minha mensagem é persistência, não podemos desistir. Nós estamos conseguindo nossos lugares pela nossa competência e é assim que chegamos lá. Somos minoria, mas somos reconhecidas no setor”.

Nesse contexto de transformação, a pluralidade de perspectivas deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade para um setor que busca inovação e eficiência em suas práticas.

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