O festival Monsters of Rock chegou à sua nona edição neste sábado (4), no Allianz Parque, estádio localizado na zona oeste de São Paulo. Diferente dos anos anteriores, o evento marcou uma transição do heavy metal tradicional para o hard rock clássico, tendo o Guns N’ Roses como atração principal. De acordo com informações do jornal Folha de S.Paulo, a aposta da organização se concentrou em apresentações de bandas veteranas que somam décadas de estrada, focando em repertórios repletos de sucessos consolidados.
Como foi a mudança de estilo na nona edição do evento?
Historicamente, o festival paulistano era conhecido por um peso extremo em sua curadoria. Na estreia, em 1994, o público acompanhou ícones como Kiss, Slayer e Black Sabbath. Nas edições seguintes, nomes ortodoxos do metal, como Ozzy Osbourne, Iron Maiden e Megadeth, mantiveram a tradição de som pesado. Até mesmo no ano passado, o palco do estádio abrigou representantes fiéis do gênero, como Judas Priest e Scorpions.
Contudo, na edição de 2026, as guitarras aceleradas do hard rock substituíram o peso clássico do metal. As principais atrações escaladas para os horários nobres do evento somam mais de 90 anos de trajetória musical, evidenciando uma escolha clara por sonoridades nostálgicas que convidam o público a dançar e cantar, em vez de apenas bater cabeça na plateia.
O que marcou o show do Guns N’ Roses no Allianz Parque?
A apresentação do Guns N’ Roses baseou-se fortemente em seu álbum de estreia, “Appetite For Destruction”, lançado em 1987. O setlist foi amplamente sustentado por clássicos imortais, incluindo faixas como “Welcome to the Jungle”, “Paradise City”, “It’s So Easy” e “Sweet Child O’ Mine”. Canções do projeto duplo “Use Your Illusion”, a exemplo de “You Could Be Mine” e o cover de Paul McCartney “Live and Let Die”, também integraram o espetáculo da banda norte-americana.
Para grande parte do público mais jovem, composto por pessoas na faixa dos 30 anos, esta foi a primeira oportunidade de assistir ao vocalista Axl Rose e ao guitarrista Slash dividindo o mesmo palco, visto que os dois músicos retomaram a parceria apenas em 2016, após quase 20 anos de separação. A performance revelou contrastes nítidos: enquanto o guitarrista mantém o virtuosismo que o consagrou, o vocalista apresentou limitações físicas e vocais evidentes ao longo do show.
O sucesso da apresentação dependeu largamente do apoio do público, que cantou em uníssono as canções mais conhecidas. Essa dinâmica gerou a sensação de uma grande celebração, com a banda executando arranjos fiéis às gravações originais de décadas passadas, atuando quase como um tributo à própria trajetória.
Como foram as apresentações do Lynyrd Skynyrd e demais bandas?
O show do Lynyrd Skynyrd funcionou como uma homenagem devotada à história do grupo. Liderado atualmente por Johnny Van Zant, a banda celebrou o rock sulista americano criado na década de 1960. Mesmo após tragédias aéreas que vitimaram membros originais na década de 1970 — como o trágico acidente de 1977 que matou o vocalista original Ronnie Van Zant, irmão mais velho de Johnny — e a morte recente do guitarrista fundador Gary Rossington em 2023, o grupo entregou uma reprodução exata de sua sonoridade clássica para os fãs paulistas.
A arena do Allianz Parque cantou junto os hinos atemporais do grupo de southern rock. Entre as faixas mais aclamadas da noite, destacaram-se durante a apresentação:
- “What’s Your Name?”
- “Free Bird”
- “Sweet Home Alabama”, que encerrou a participação com forte resposta do público presente.
A escalação da tarde apresentou resultados variados perante a plateia. O grupo Halestorm foi apontado como o show mais bem resolvido do dia, entregando um hard rock moderno com forte presença de palco. O Extreme agradou aos nostálgicos com seu hit baladeiro “More than Words”, enquanto o veterano guitarrista sueco Yngwie Malmsteen repetiu truques de sua fase áurea dos anos 1980. O evento ainda contou com a energia da jovem banda britânica Jayler e uma performance duramente criticada do grupo californiano Dirty Honey.


