O governo de Minas Gerais anunciou, em 31 de março de 2026, a implementação de um cinturão sanitário inédito para proteger a citricultura estadual contra o avanço do greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB). A iniciativa busca blindar uma área superior a 150 mil quilômetros quadrados, estabelecendo barreiras e protocolos rigorosos para evitar que a praga comprometa a produção de laranjas e outros cítricos no território mineiro.
De acordo com informações do Canal Rural, a estratégia é uma resposta direta à crescente ameaça da doença, que já causa impactos severos em pomares vizinhos. O projeto é coordenado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e executado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão responsável pela defesa sanitária agropecuária no estado, com foco na preservação da sanidade vegetal e na sustentabilidade econômica do setor agroindustrial.
O que é o cinturão verde contra o greening em Minas Gerais?
O cinturão consiste em uma zona de monitoramento intensivo e controle sanitário que abrange as principais regiões produtoras do estado. O objetivo central é criar uma barreira epidemiológica que dificulte a entrada e a disseminação da bactéria Candidatus Liberibacter, transmitida pelo inseto psilídeo. A proteção de mais de 150 mil quilômetros quadrados é considerada uma das maiores ofensivas fitossanitárias já registradas no país para este fim específico.
As autoridades mineiras destacam que a medida não se limita apenas à fiscalização estatal, mas envolve um trabalho conjunto com os produtores rurais. A proposta incentiva a adoção de tecnologias de manejo integrado e o reporte imediato de qualquer foco suspeito da doença. Com essa integração, o governo estadual espera manter o status sanitário de Minas Gerais e preservar a qualidade da fruta produzida no estado.
Quais são os impactos econômicos esperados com a nova medida?
A citricultura representa uma fatia significativa do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário de Minas Gerais. A doença é altamente destrutiva, pois, uma vez infectada, a árvore não possui cura e precisa ser erradicada para não contaminar o restante do pomar. Por isso, ações preventivas são tratadas pelo setor como essenciais para reduzir perdas e preservar a produção.
Além da proteção da cadeia produtiva, o cinturão sanitário busca resguardar empregos no campo e nas unidades de processamento. O governo reforça que a citricultura mineira está em fase de expansão e que a segurança biológica é apontada como um dos pilares para consolidar o estado entre os principais produtores de citros do país.
Como funcionará a fiscalização e o manejo do greening no estado?
O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) deve intensificar as vistorias técnicas e o monitoramento da presença do inseto vetor em áreas estratégicas definidas pelo novo cinturão. O plano prevê uma série de ações coordenadas que incluem os seguintes pontos:
- Vigilância constante em pomares comerciais e propriedades rurais limítrofes;
- Controle rigoroso do trânsito de mudas e demais materiais vegetais citrícolas;
- Educação sanitária voltada para pequenos, médios e grandes produtores;
- Eliminação imediata e obrigatória de plantas com sintomas confirmados de greening.
O sucesso da iniciativa depende da colaboração estreita entre o poder público e a iniciativa privada. A expectativa dos órgãos de defesa agropecuária é que, com o cinturão consolidado, Minas Gerais consiga mitigar os riscos biológicos de forma eficiente. A medida também é apresentada como referência preventiva para outras regiões produtoras que enfrentam desafios fitossanitários na citricultura.



