MC Ryan SP é alvo de investigação da Polícia Federal, que aponta a avó do artista, Vera Lúcia Santana, como suspeita de atuar como laranja em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Segundo a apuração, divulgada em 21 de abril de 2026, em São Paulo, a mulher teria assumido formalmente empresas e contas bancárias para ocultar patrimônio ligado ao funkeiro. De acordo com informações da Revista Fórum, a investigação integra a Operação Narco Fluxo.
A PF afirma que Vera Lúcia Santana, de 58 anos, teria funcionado como “testa de ferro” do neto. A investigação também cita Tiago de Oliveira, apontado como braço direito e gestor financeiro de MC Ryan. Os dois moram na Vila Guilherme, na zona norte da capital paulista, onde, segundo os investigadores, funcionaria uma central administrativa das empresas relacionadas ao grupo.
O que a Polícia Federal aponta sobre a avó de MC Ryan?
De acordo com a investigação, a conta bancária de Vera teria sido usada como “conta de passagem” para movimentar valores entre empresas e operadores da organização investigada. A PF sustenta que ela assumiu a titularidade formal de ativos considerados incompatíveis com seu histórico patrimonial, em uma estrutura que, segundo os investigadores, buscava blindar o patrimônio do artista.
Um dos casos citados envolve o Bololô Restaurant & Bar. Conforme a apuração, MC Ryan transferiu as cotas do estabelecimento para a avó após o local ser alvo de buscas da Polícia Civil por suspeitas de vínculos com o Primeiro Comando da Capital e com rifas ilegais. O restaurante, segundo a investigação, movimentou R$ 30 milhões em 18 meses.
Quais medidas foram adotadas na operação?
Vera Lúcia Santana não foi alvo de mandado de prisão, mas o restaurante que ela administra pode ser atingido por sequestro de valores e bloqueio patrimonial. Ainda segundo a investigação, a estrutura societária do estabelecimento foi congelada judicialmente para permitir o rastreamento de recursos de origem ilícita.
MC Ryan foi preso temporariamente na manhã de 15 de abril durante a operação, assim como Tiago de Oliveira. A PF acusa o grupo de operar uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro supostamente oriundo de apostas ilegais e do tráfico internacional de drogas, com uso das indústrias fonográfica e de entretenimento.
- Bloqueio judicial de até R$ 2,2 bilhões em bens
- 77 alvos entre pessoas físicas e empresas
- 45 mandados de busca e apreensão
- 39 mandados de prisão temporária
- Mais de 200 policiais federais mobilizados
- Ações em nove estados e no Distrito Federal
Quais crimes são investigados e o que diz a defesa?
Segundo a reportagem, seis pessoas seguem foragidas. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Como o caso está em fase de investigação, os citados devem ser tratados como suspeitos ou acusados, sem antecipação de culpa.
Em nota, a defesa de MC Ryan afirmou não ter tido acesso ao procedimento e contestou as suspeitas levantadas. O texto divulgado pelos advogados diz:
“Ressalta-se a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos.”
A investigação segue sob condução da Polícia Federal, que apura se familiares e pessoas próximas ao artista foram usados para formalizar empresas, movimentar contas e ocultar a titularidade real dos bens. Até o momento, o material disponível indica a versão dos investigadores e a manifestação da defesa, sem conclusão definitiva da Justiça sobre as acusações.