Mariana Mazzucato, economista e professora, defendeu uma mudança na forma como a cultura e a economia criativa são vistas e incorporadas às políticas públicas durante uma agenda do Ministério da Cultura em Brasília. A visita ocorreu na última segunda-feira (9) e faz parte de uma missão de pesquisa sobre cultura, economia criativa e Carnaval. De acordo com informações do Ministério da Cultura, Mazzucato destacou que a cultura deve ser tratada como um investimento estratégico para o desenvolvimento econômico, social e sustentável.
Como a cultura pode ser um investimento estratégico?
Em encontros interministeriais, Mazzucato apresentou seu estudo sobre economia criativa, reforçando a ideia de que a cultura não deve ser tratada como custo.
“Economia cultural e criativa também é sobre uma economia de ouvir. Trabalhar com, não trabalhar para”,
afirmou a economista. Ela destacou a necessidade de superar métricas tradicionais de avaliação econômica, propondo medidas dinâmicas.
“Precisamos mudar em direção a medidas dinâmicas. Mesmo com os números estáticos, a análise de custo-benefício é mal feita”,
avaliou.
Quais são os desafios para a cultura nas políticas econômicas?
Segundo Mazzucato, a cultura é historicamente subvalorizada nas políticas econômicas. Ela defende que a arte e a cultura podem ser simultaneamente um meio e um fim para a transformação econômica.
“A ideia é realmente usar essas noções para retomar o papel transversal da cultura em nossas economias — ou o papel que ela deveria ter”,
disse. A economista também destacou a importância de pensar a economia criativa a partir de dimensões como coesão social e saúde mental.
Qual é a visão do Ministério da Cultura sobre a proposta?
O secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, reforçou a visão de que “cultura é direito”, destacando a democratização do acesso como princípio central. A secretária de Economia Criativa, Cláudia Leitão, enfatizou que a criatividade deve ser orientada por valores de soberania para promover emancipação.
“Se estamos falando de soberania, estamos falando de soberania cultural, do produto cultural brasileiro”,
afirmou.

