O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou, nos últimos meses, uma agenda voltada às mulheres, em meio à redução de sua vantagem entre o eleitorado feminino nas pesquisas mais recentes. Desde o início de 2026, o petista participou de mais de dez ações ligadas ao tema, entre eventos, sanções de leis e anúncios de políticas públicas, em articulação com a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. De acordo com informações do Diario do Centro do Mundo, com informações da Folha de S.Paulo, a movimentação ocorre após levantamentos indicarem enfraquecimento do desempenho do presidente nesse segmento.
Segundo o texto original, a mudança de estratégia ganhou força depois de pesquisas apontarem diminuição da vantagem de Lula entre as mulheres. Em março, o presidente tinha 50% das intenções de voto nesse grupo, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Em abril, os números passaram para 47% e 43%, respectivamente, configurando empate técnico dentro da margem de erro.
O que motivou a intensificação dessa agenda?
A ofensiva do governo ocorre em um contexto de atenção crescente ao eleitorado feminino, diante da piora relativa do desempenho de Lula nas sondagens. A resposta do Palácio do Planalto tem sido ampliar a presença do presidente em compromissos ligados a políticas para mulheres e dar mais centralidade ao tema em cerimônias e discursos oficiais.
Em grande parte desses compromissos, Lula esteve acompanhado de Janja. De acordo com auxiliares do Planalto citados no texto, a primeira-dama tem influência direta na ampliação dessa pauta dentro do governo, especialmente em ações relacionadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres.
Quais ações foram destacadas pelo governo?
Entre as iniciativas recentes mencionadas estão o Pacto contra o Feminicídio, firmado entre os Três Poderes após a repercussão de casos de violência, e a sanção de leis voltadas à proteção de mulheres. O texto também cita medidas como o uso de tornozeleira eletrônica para agressores e a tipificação do crime de vicaricídio.
Outras ações listadas incluem mudanças em serviços e marcos legais relacionados ao tema. Entre os pontos destacados estão:
- atualização do serviço Ligue 180, voltado a denúncias;
- criação do Dia Nacional de Luto e Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio;
- regulamentação da profissão de doula.
Segundo a reportagem, a violência contra as mulheres passou a ser um tema recorrente nos discursos presidenciais. Esse eixo tem aparecido como uma das frentes mais visíveis da agenda recente do governo voltada ao público feminino.
Qual foi o papel de Janja nesse movimento?
O próprio Lula relatou, em um dos episódios citados, a influência direta da primeira-dama na condução do tema. Ao mencionar uma conversa com Janja, o presidente associou a reação dela à necessidade de ampliar o enfrentamento à violência contra as mulheres.
“Eu acordei domingo para tomar café e no café a Janja começou a chorar. De noite, vendo o Fantástico, a Janja voltou a chorar. Ontem, ela voltou a chorar. E hoje, no avião, ela pediu para mim: ‘Assuma a responsabilidade de uma luta mais dura contra a violência do homem contra a mulher no planeta Terra’”.
A declaração foi usada para reforçar a leitura, dentro do governo, de que Janja tem participação ativa na priorização desse tema. A presença dela em agendas públicas ao lado do presidente também tem sido apontada como parte dessa estratégia política e institucional.
Com isso, a agenda de Lula para as mulheres combina duas frentes descritas no texto original: a resposta do governo a casos de violência de grande repercussão e a tentativa de recuperar terreno em um segmento do eleitorado considerado decisivo nas pesquisas.