O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu publicamente, nesta sexta-feira (20 de março de 2026), a criação de uma reserva estratégica nacional de combustíveis. O objetivo, segundo o chefe do Executivo, é proteger os preços e a oferta no mercado interno brasileiro de turbulências e instabilidades no cenário internacional, como a escalada de conflitos no Oriente Médio. A declaração foi feita durante evento de anúncio de investimentos da Petrobras em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
De acordo com informações da Agência Brasil, Lula afirmou que a medida é estratégica e necessária para garantir a soberania do país, embora reconheça que sua implementação levará tempo e terá custo elevado. O presidente direcionou o tema à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, para que a estatal e o governo desenvolvam um plano.
Por que uma reserva estratégica é considerada urgente?
O discurso do presidente foi motivado pela tensão geopolítica atual, com foco especial no Estreito de Ormuz, rota marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã por onde passa parte relevante do petróleo comercializado no mundo. Lula apresentou um cenário de risco: “E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz?”, questionou.
“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje”, disse o presidente Lula durante o evento.
— Publicidade —Google AdSense • Slot in-article
Atualmente, o Brasil não possui reservas estratégicas de petróleo, contando apenas com estoques operacionais para evitar desabastecimento entre a chegada de navios ou o processamento nas refinarias. A dependência de importações é um ponto de vulnerabilidade: cerca de 30% do diesel consumido no país vem do exterior.
Como o Brasil se compara a outras potências nesse aspecto?
Em sua argumentação, Lula citou exemplos de nações que já mantêm estoques estratégicos como forma de blindagem. “Certamente, os Estados Unidos têm estoque para uns 30 dias. Como eles vivem em guerra, eles têm que ter estoque. Certamente, a China tem estoque. Certamente, a Rússia tem estoque”, afirmou.
O presidente fez um paralelo com as reservas internacionais em moeda estrangeira do Banco Central, que totalizavam US$ 364,4 bilhões em janeiro de 2026. Para ele, assim como as reservas cambiais garantem estabilidade financeira, os estoques de combustível assegurariam a segurança energética e a proteção contra a especulação em momentos de crise.
Além da proposta de reserva, Lula reforçou o compromisso com investimentos no parque de refino nacional, incluindo a melhoria e a construção de novas refinarias. O anúncio do evento em Minas Gerais exemplifica essa diretriz. A Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim, é uma das principais unidades da Petrobras no Sudeste.
Quais foram os investimentos anunciados pela Petrobras?
Durante a visita presidencial, a Petrobras anunciou um pacote de investimentos de R$ 9 bilhões na Refinaria Gabriel Passos (Regap). Os recursos serão aplicados em duas fases:
- R$ 3,8 bilhões para elevar a produção de 170 mil para 200 mil barris de petróleo por dia até o final de 2027.
- R$ 5,2 bilhões nos próximos cinco anos, com o objetivo de atingir uma capacidade de 240 mil barris diários.
Lula lembrou que a refinaria, que chegou a operar com apenas 60% de sua capacidade em um processo de desinvestimento, hoje opera a 98%. O presidente também inaugurou uma usina fotovoltaica no local, financiada pelo Fundo de Descarbonização da Petrobras, que deve reduzir em 20% o consumo de energia da unidade.
O governo federal destacou que as iniciativas na Regap fortalecem a produção nacional de combustíveis, promovem a transição energética, geram empregos e asseguram a confiabilidade operacional. A defesa da reserva estratégica surge, portanto, como mais um pilar na política de buscar maior autonomia e resiliência para o setor energético brasileiro diante de choques externos.
