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Lula critica ameaças de Trump e cobra reforma urgente do Conselho da ONU

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fez duras críticas à postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao aumento das tensões bélicas globais. Em declarações publicadas nesta quinta-feira (16), o chefe do Executivo brasileiro questionou o papel estadunidense na geopolítica atual e alertou para os impactos econômicos de possíveis conflitos, exigindo uma reestruturação imediata nas instâncias de decisão da Organização das Nações Unidas (ONU).

As falas do mandatário brasileiro vieram a público por meio de uma entrevista concedida à revista alemã Der Spiegel. A publicação coincidiu com o início de uma nova agenda diplomática do presidente na Europa, onde cumpre compromissos oficiais para debater acordos e a reorganização da governança global.

De acordo com informações do G1 e do portal Brasil 247, a crítica central de Lula direcionou-se à naturalização de um discurso de guerra permanente por parte da Casa Branca. O líder brasileiro demonstrou preocupação com o acirramento das disputas entre as grandes potências mundiais.

Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo.

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Para o presidente, o atual cenário de rivalidade internacional entre potências como Estados Unidos, China e Rússia exige uma intervenção diplomática mais eficiente, sob pena de o planeta inteiro sofrer as consequências de embates localizados.

Qual o impacto das tensões com o Irã para os países em desenvolvimento?

Um dos pontos mais sensíveis abordados pelo presidente brasileiro foi a escalada de tensão envolvendo o Irã. A análise do chefe de Estado liga diretamente o militarismo das nações ricas à insegurança alimentar nos países do Sul Global. Conforme apurado pela Jovem Pan, o petista argumentou que os conflitos armados geram efeitos cascata na economia mundial, punindo populações que não têm nenhuma relação com as disputas geopolíticas do Hemisfério Norte.

Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras.

A declaração evidencia a tese diplomática brasileira de que a inflação global e o aumento do custo de vida em nações vulneráveis são danos colaterais diretos de políticas externas belicosas. A interrupção de cadeias de suprimentos e as flutuações nos preços das commodities, muitas vezes causadas por sanções e ameaças de bombardeios, afetam o poder de compra de itens básicos de sobrevivência para bilhões de pessoas.

Como a governança global deve reagir diante da crise?

Diante do que classifica como uma iminente desestabilização global, Lula revelou ter atuado nos bastidores diplomáticos para tentar frear a crise no Oriente Médio. Ele afirmou ter dialogado diretamente com os líderes de três potências que possuem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU para que o tema do Irã fosse debatido com urgência. Os líderes procurados foram:

  • Xi Jinping (presidente da China)
  • Vladimir Putin (presidente da Rússia)
  • Emmanuel Macron (presidente da França)

Apesar das tentativas de articulação, o mandatário brasileiro relatou que ninguém deu ouvidos ao seu pedido. Esse silêncio institucional reforçou a necessidade, defendida historicamente pela diplomacia do Brasil, de uma ampla reforma na composição e no funcionamento do Conselho de Segurança.

Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha.

Sem obter sucesso no restrito grupo do Conselho de Segurança, Lula apresentou uma rota alternativa para a diplomacia internacional. Ele sugeriu que o atual secretário-geral da ONU, António Guterres, faça a convocação de uma Assembleia Geral extraordinária. O objetivo dessa sessão seria forçar os líderes mundiais a prestarem contas publicamente sobre o desenrolar das tensões militares e suas responsabilidades perante a comunidade internacional.

As declarações marcam o tom da viagem oficial que o presidente iniciou nesta mesma quinta-feira (16). A comitiva brasileira tem encontros de alto nível programados em uma agenda que perpassa os seguintes países europeus:

  • Alemanha
  • Espanha
  • Portugal

A expectativa é que o discurso em prol do multilateralismo, da paz negociada e da reforma das instituições nascidas no pós-Segunda Guerra Mundial seja a tônica dos encontros bilaterais durante a passagem de Lula pelo continente europeu.

Fontes consultadas

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