A centro-esquerda em Santa Catarina deve oficializar na próxima quinta-feira, 16, em Florianópolis, uma chapa ao governo estadual e ao Senado com o objetivo de fortalecer o palanque do presidente Lula no estado. A articulação reúne PT, PSB, PDT e PSOL, em um movimento para tentar ampliar a presença eleitoral do petista em um dos cenários mais difíceis para o partido no País. De acordo com informações da CartaCapital, o anúncio está marcado para as 10h.
Segundo a composição informada, o ex-deputado Gelson Merisio, do PSB, será o candidato ao governo estadual, com a ex-deputada Ângela Albino, do PDT, na vice. Para o Senado, a chapa terá Décio Lima, do PT, e Afrânio Boppré, do PSOL. A iniciativa é apresentada como uma tentativa de reorganizar o campo progressista catarinense após anos de perda de espaço político.
Quem compõe a aliança formada em Santa Catarina?
A frente reúne quatro partidos do campo da esquerda e da centro-esquerda. A estratégia busca construir uma candidatura conjunta para o governo estadual e uma composição para o Senado, com foco também no desempenho de Lula no estado durante a disputa presidencial de 2026.
- Gelson Merisio (PSB): candidato ao governo
- Ângela Albino (PDT): candidata a vice-governadora
- Décio Lima (PT): candidato ao Senado
- Afrânio Boppré (PSOL): candidato ao Senado
De acordo com a reportagem original, a escolha de Merisio é vista pelos articuladores como parte de uma estratégia para ampliar o diálogo para além da base tradicional do PT. O ex-deputado é descrito como um nome com trânsito em diferentes grupos políticos, o que poderia ajudar a frente a buscar maior alcance eleitoral em Santa Catarina.
Por que Santa Catarina é um desafio para Lula e para o PT?
O histórico recente das eleições presidenciais no estado ajuda a explicar o esforço da aliança. No segundo turno de 2022, Lula recebeu 30,73% dos votos em Santa Catarina, enquanto Jair Bolsonaro, do PL, obteve 69,27%. Em 2018, o então candidato Fernando Haddad teve 24,08%, contra 75,92% de Bolsonaro.
Esses resultados mostram a dificuldade do PT em converter apoio eleitoral no estado, que tem sido um dos mais resistentes ao partido nas últimas disputas presidenciais. Nesse contexto, a montagem de um palanque unificado é tratada como uma tentativa de reduzir a desvantagem histórica e ampliar a presença política de Lula no território catarinense.
Como está o cenário da disputa estadual, segundo a pesquisa citada?
Enquanto a centro-esquerda busca reorganização, o cenário eleitoral atual aponta vantagem do governador Jorginho Mello, do PL, que aparece como favorito à reeleição. Segundo pesquisa do instituto AtlasIntel, divulgada no fim de março e citada pela reportagem, ele registra cerca de 49% das intenções de voto nos cenários de primeiro turno testados.
Considerando apenas os votos válidos, esse percentual ultrapassa a maioria absoluta, o que indica possibilidade de vitória já no primeiro turno. No mesmo levantamento, Gelson Merisio aparece com 13,8% em um dos cenários, enquanto Décio Lima marca 19,6% em outra simulação.
A pesquisa ouviu 1.280 pessoas entre os dias 25 e 30 de março e, segundo a reportagem, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número SC-05257/2026. Os dados reforçam o tamanho do desafio enfrentado pela nova aliança, que tenta ao mesmo tempo reorganizar o campo progressista no estado e criar condições mais favoráveis para a campanha presidencial de Lula em 2026.
O movimento, portanto, combina uma disputa local e uma estratégia nacional. No plano estadual, a frente tenta se consolidar como alternativa ao grupo do atual governador. No plano nacional, busca oferecer a Lula uma estrutura política mais competitiva em Santa Catarina, estado em que o petista teve desempenho fraco nas últimas eleições presidenciais.