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Lucro de postos de combustíveis e distribuidoras salta 37% com guerra no Oriente Médio

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Frentista abastece um veículo em um posto de combustíveis com várias bombas visíveis ao fundo.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

A margem de lucro acumulada por distribuidoras e postos de combustíveis em todo o território nacional registrou um crescimento médio de 37% desde a eclosão do recente conflito armado no Oriente Médio. O avanço nas margens do setor varejista e de distribuição ocorreu entre o fim de fevereiro e a segunda quinzena de março de 2026, impulsionado pelas oscilações do mercado internacional de petróleo e seus derivados diretos.

De acordo com informações da CNN Brasil, os dados integram um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps). O estudo teve como base números oficiais do Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo, documento elaborado periodicamente pelo Ministério de Minas e Energia (MME), pasta responsável pela política energética federal.

Como os diferentes tipos de combustíveis foram afetados?

A pesquisa destaca que os percentuais de aumento estão relacionados exclusivamente à fatia de rentabilidade que permanece com as empresas de distribuição e revenda, não refletindo diretamente, nem na mesma proporção, o preço final cobrado dos motoristas. Entre 28 de fevereiro de 2026, data apontada no texto como o início da escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e 21 de março de 2026, as variações de lucro apresentaram comportamentos distintos conforme o produto.

O diesel S-500, combustível predominantemente utilizado em motores rodoviários mais antigos, registrou o salto mais expressivo. A margem de lucro, que estava em R$ 0,95 no fim de fevereiro, subiu para R$ 1,63 em 21 de março. Essa variação nominal representa uma alta de 71,6% na rentabilidade específica desse derivado.

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Já o diesel S-10, produto mais refinado e recomendado para veículos de tecnologia automotiva mais recente, teve um reajuste de margem mais contido. O indicador subiu de R$ 0,80 para R$ 0,86 no mesmo recorte temporal, o que equivale a um acréscimo de 7,5%. A gasolina comum, por sua vez, acompanhou a tendência de alta e sua rentabilidade intermediária atingiu R$ 1,52 no encerramento da análise, acima dos R$ 1,15 verificados anteriormente — um avanço de 32,2%.

Por que os preços ao consumidor também subiram nas bombas?

O panorama de aumento expressivo nas margens de lucro coincide com a forte valorização do barril de petróleo no mercado exterior. Durante o período avaliado, o insumo bruto ultrapassou a barreira dos US$ 100, com picos próximos de US$ 120. Como o Brasil também depende da dinâmica internacional do petróleo e de derivados para formar preços internos, essa pressão externa teve reflexos nas bombas.

Levantamentos complementares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor no país, evidenciam o impacto direto no bolso dos brasileiros. O preço médio do litro do diesel sofreu elevação de 20,4% desde o início da guerra. O valor médio passou de R$ 6,03, apurado na semana encerrada em 28 de fevereiro de 2026, para R$ 7,26 ao fim de 21 de março de 2026.

No caso da gasolina comum, o impacto para o motorista foi menor em termos percentuais, mas ainda assim significativo para o orçamento doméstico. A alta verificada pela ANP atingiu 5,9%, elevando o preço médio nas bombas de R$ 6,28 para R$ 6,65 no mesmo período de referência.

Quais medidas governamentais estão em andamento?

Para tentar mitigar os impactos da crise energética, o governo federal vem adotando alternativas emergenciais nas últimas semanas, incluindo a isenção tributária envolvendo o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Além disso, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou recentemente aos secretários estaduais uma proposta de subvenção econômica focada no óleo diesel importado.

A estratégia de contenção de preços apresentada pela União estipula as seguintes diretrizes centrais:

  • Implementação de um subsídio direto aos importadores no valor de R$ 1,20 por litro de diesel importado.
  • O montante subsidiado é equivalente à alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
  • O custeio da medida seria dividido de forma igualitária, com metade da conta bancada pelo governo federal e a outra metade assumida pelos cofres estaduais.

Apesar da formulação da proposta, informações apuradas pelo sistema Broadcast apontam que a maioria dos secretários estaduais da Fazenda deve se posicionar contra a divisão de custos da subvenção governamental.

Como as autoridades estão fiscalizando as irregularidades?

Em resposta às crescentes suspeitas de abusos neste cenário de volatilidade, a Polícia Federal deflagrou uma ação específica batizada de Operação Vem Diesel. A força-tarefa tem como objetivo fiscalizar e coibir práticas ilegais na precificação nas bombas.

As diligências dos agentes federais concentram-se nas capitais de 11 estados e no Distrito Federal. A investigação busca identificar estabelecimentos suspeitos de se aproveitar da conjuntura internacional para aumentar injustificadamente suas margens de lucro de forma artificial e lesiva aos consumidores finais.

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