José Dirceu, ex-ministro de Lula, criticou a proposta do deputado Nikolas Ferreira (PL) em relação ao fim da escala 6×1 para trabalhadores. Segundo Dirceu, a ideia de compensar empresas pelos custos dessa mudança é um favorecimento aos empregadores. De acordo com informações do DCM, Dirceu vê a medida como um aumento na renúncia fiscal da União, ignorando alternativas mais eficientes para o mercado de trabalho.
Para Dirceu, a proposta cria uma espécie de “Bolsa Patrão”, transferindo recursos públicos para empresários sob o argumento de reduzir jornadas. Ele argumenta que sociedades desenvolvidas buscam menos horas de trabalho com maior eficiência, o que não se atinge explorando mais a mão de obra, mas investindo em inovação e conhecimento.
Quais são os impactos sociais dessa proposta?
Dirceu afirmou que a medida afeta especialmente os jovens trabalhadores, limitando o tempo para estudos, lazer e desenvolvimento pessoal. Ele relembra que a redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento trabalhista brasileiro desde a greve geral de 1917, que garantiu as oito horas diárias de trabalho.
O ex-ministro atacou a proposta, acusando Nikolas de tomar partido na disputa entre patrões e trabalhadores. Segundo ele, falar que o país quebraria com menos horas de trabalho remete a antigos argumentos contrários ao salário mínimo e outros direitos sociais.
É uma decisão política ou econômica?
Dirceu acredita que a iniciativa não decorre de desconhecimento, mas sim de uma escolha política favorável aos empresários. Ele sustenta que ampliar os benefícios fiscais para os donos das empresas, em vez de investir na produtividade e na qualidade de vida, estende desigualdades e representa um retrocesso em termos de direitos trabalhistas.