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Jesus histórico e Cristo da fé: figura real e construção teológica

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Pintura clássica retratando Jesus de Nazaré com traços humanos e olhar sereno, em estilo artístico renascentista.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O artigo do filósofo Luiz Felipe Pondé discute a distinção entre o Jesus histórico — um judeu do século I, descrito por historiadores como um mestre carismático e apocalíptico — e o Cristo da fé, figura teológica central do cristianismo. A separação entre essas duas identidades é fundamental para entender a evolução do movimento que se tornou uma das maiores religiões do mundo. De acordo com informações do UOL Notícias, essa diferenciação não nega a importância da historicidade, mas reconhece que a fé cristã foi moldada por interpretações posteriores.

O Jesus histórico teria vivido na Palestina sob domínio romano, então parte do Império Romano no Oriente Médio, sendo visto por estudiosos como Geza Vermes como um “entusiasta apocalíptico” e curandeiro, cuja mensagem girava em torno da iminência do fim dos tempos. Seu contexto religioso incluía grupos como os qumranitas — associados aos Manuscritos do Mar Morto, encontrados na região de Qumran, próxima ao Mar Morto —, cujas ideias sobre “filhos da luz” e “filhos das trevas” influenciaram conceitos centrais do cristianismo primitivo.

Quem construiu a figura do Cristo da fé?

A transição de Jesus de Nazaré, o profeta judeu, para Cristo, o Filho de Deus, ocorreu por meio de figuras como Paulo de Tarso, João e Lucas, associados à tradição dos textos do Novo Testamento que reinterpretaram sua vida e morte. As cartas de Paulo já afirmavam Jesus como salvador universal, não apenas messias judaico. O evangelho de João, especialmente em seu prólogo (“no princípio era o Verbo”), estabeleceu a doutrina da pré-existência divina de Cristo, base da cristologia.

Esse processo culminou no Concílio de Niceia, em 325 d.C., convocado pelo imperador Constantino, que definiu dogmaticamente que Cristo possui a mesma substância do Pai. A partir de então, o cristianismo consolidou-se como religião teologicamente unificada, distinta do judaísmo.

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Por que essa distinção importa para o cristianismo?

O papa emérito Joseph Ratzinger (Bento XVI), teólogo alemão que chefiou a Igreja Católica entre 2005 e 2013, em sua obra “Jesus de Nazaré”, argumenta que, sem a construção teológica do Cristo da fé, o movimento iniciado por Jesus teria permanecido uma heresia judaica efêmera, condenada ao desaparecimento após a crucificação de seu líder. A fé cristã, portanto, depende tanto da historicidade de Jesus quanto da elaboração posterior de sua natureza divina.

Ainda assim, tanto o judaísmo quanto o cristianismo são religiões históricas: sua credibilidade está ligada à crença de que Deus agiu na história — libertando os hebreus do Egito, segundo o Êxodo, ou encarnando em Jesus, segundo o Novo Testamento. A coincidência entre a Semana Santa cristã e a Páscoa judaica (Pessach) reforça essa raiz comum, já que a Última Ceia de Jesus foi uma celebração do Pessach.

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