O governo do Irã ameaça não enviar sua seleção masculina de futebol para disputar a Copa do Mundo de 2026 caso os Estados Unidos não forneçam garantias absolutas de segurança para a delegação. A exigência foi detalhada publicamente pelo ministro do Esporte e da Juventude iraniano, Ahmad Donyamali, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas entre os países.
De acordo com informações do DCM, a decisão definitiva sobre a participação no torneio mundial não cabe apenas à federação de futebol local, mas sim às altas esferas do governo e ao Conselho Supremo de Segurança Nacional do país do Oriente Médio.
Qual é o motivo do impasse diplomático no esporte?
A incerteza sobre a presença da equipe asiática na competição ocorre no contexto de conflitos abertos envolvendo o Estado iraniano, Israel e as autoridades norte-americanas. Como os jogos da fase de grupos da seleção do Irã estão programados para ocorrer exclusivamente em território dos Estados Unidos, os governantes iranianos passaram a cobrar medidas protetivas oficiais e rigorosas para autorizar a viagem dos atletas e da comissão técnica.
Em uma tentativa de evitar a viagem ao território vizinho, a federação iraniana chegou a formalizar um pedido à Fifa para que todas as suas partidas fossem realocadas para o México, que também atua como um dos países-sedes do Mundial ao lado de canadenses e norte-americanos. A entidade máxima do futebol, no entanto, rejeitou a solicitação e manteve os compromissos nas cidades que haviam sido definidas previamente.
O que declaram os representantes iranianos e a Fifa?
Apesar da preparação técnica continuar, o discurso governamental mantém o tom de incerteza. Em entrevista à agência iraniana Tasnim, o ministro Ahmad Donyamali reforçou a postura condicional do país, que já havia sido ventilada no mês de março daquele ano.
“Devemos estar preparados, mas é possível que não participemos da Copa do Mundo. A decisão final será tomada pelo governo e pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional”, disse Donyamali.
Posteriormente, o representante detalhou os próximos passos da equipe, vinculando o embarque para a América do Norte à resolução das exigências de proteção. Ele explicou que a seleção realizará um período de treinamento de três semanas na Turquia e enfatizou que a viagem ocorrerá somente se a integridade dos membros for assegurada. Em contrapartida, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, adota uma postura categórica e tem afirmado que o Irã estará presente na Copa do Mundo.
Quais são as punições previstas e os adversários da seleção?
Caso o país confirme sua desistência do torneio, as regras internacionais preveem sanções. Pelo regulamento em vigor, uma seleção que abandona a competição fica sujeita a consequências financeiras rigorosas. A organização internacional teria duas opções técnicas: manter o grupo desfalcado com apenas três seleções ou formular um convite para outro país ocupar a vaga. O cronograma e os detalhes do Grupo G incluem:
- A chave é composta por Bélgica, Egito, Nova Zelândia e Irã.
- A partida de estreia está agendada para o dia 15 de junho, às 22h.
- O confronto inaugural será contra a seleção da Nova Zelândia.
- O jogo está marcado para o SoFi Stadium, na cidade de Inglewood, na Califórnia.
- A multa mínima estabelecida pela Fifa para desistências é de 250 mil francos suíços, valor que corresponde a cerca de R$ 1,6 milhão.
O desenrolar da situação diplomática nas próximas semanas será fundamental para definir se o Mundial de 2026 contará com a presença da equipe asiática ou se registrará uma ausência motivada por questões de segurança internacional.