Um manifesto divulgado no sábado, 18 de abril de 2026, pela empresa de software Palantir, nos Estados Unidos, reacendeu o debate sobre o uso de inteligência artificial em aplicações militares e sobre o papel das big techs na defesa nacional. O texto, baseado no livro A República Tecnológica: Poder Duro, Crença Suave e o Futuro do Ocidente, de Alexander Karp e Nicholas W. Zamiska, sustenta que a elite de engenharia do Vale do Silício teria uma obrigação moral de atuar na segurança nacional e defende o fortalecimento do poder militar ocidental por meio de software.
De acordo com informações da Revista Fórum, a publicação foi feita no perfil da Palantir no X e resumiu em 22 pontos as ideias centrais da obra assinada pelo CEO da empresa, Alexander Karp, em coautoria com Nicholas W. Zamiska. A postagem gerou repercussão nos Estados Unidos e no Vale do Silício ao associar diretamente inovação tecnológica, defesa nacional e reorganização do equilíbrio geopolítico.
O que diz o manifesto divulgado pela Palantir?
Segundo o texto reproduzido pela reportagem, a empresa afirma que o Vale do Silício deve uma dívida moral ao país que possibilitou sua ascensão e que engenheiros de tecnologia deveriam participar da defesa da nação. O manifesto também sustenta que o chamado poder brando seria insuficiente diante do cenário internacional atual e que o poder duro, neste século, seria construído sobre software.
“A questão não é se armas de I.A. serão construídas; é quem as construirá e para qual propósito.”
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Outro trecho destacado pela reportagem propõe rever entendimentos consolidados após a Segunda Guerra Mundial, ao defender o desfazimento da neutralização da Alemanha e do Japão. A formulação ampliou as críticas ao documento por conectar desenvolvimento tecnológico, rearmamento e uma visão ideológica sobre o futuro do Ocidente.
Por que o texto provocou reação de especialistas?
A reportagem cita a análise do consultor e especialista em Tecnologia e Justiça Christophe Boutry, que vê no manifesto um movimento para apresentar escolhas políticas e tecnológicas como se fossem inevitáveis. Na avaliação dele, o texto naturaliza a construção de armas baseadas em IA, a vigilância algorítmica e o rearmamento ocidental como respostas obrigatórias ao contexto geopolítico.
“Quando uma empresa privada se dá como missão definir quem deve ser vigiado, visado, previsto, neutralizado, e publica simultaneamente um texto explicando por que contestar isso seria uma fraqueza civilizacional, não estamos mais na estratégia empresarial. Estamos na privatização do soberano.”
Boutry também afirma, segundo a matéria, que o risco não estaria em um discurso isolado, mas na combinação entre poder econômico, coerência ideológica e presença já consolidada da empresa dentro de estruturas estatais. Para ele, a Palantir não se limitaria a vender ferramentas, mas apresentaria uma visão completa de mundo junto com seus contratos.
Qual é o peso da Palantir no setor de defesa e segurança?
A reportagem lembra que a Palantir mantém vínculos antigos com o setor de defesa e segurança nacional dos Estados Unidos. Entre os primeiros investidores da empresa está a In-Q-Tel, fundo de investimento ligado à CIA. Um dos produtos citados é a plataforma Gotham, voltada à análise e correlação de grandes volumes de dados, com uso por agências de segurança pública e forças armadas dos Estados Unidos.
O texto também aponta que a expansão internacional da empresa já provocou controvérsias. Na Alemanha, houve protestos e pedidos de suspensão do uso do Gotham por alegações de violação de normas de proteção e tratamento de dados pessoais. A reportagem ainda menciona manifestações públicas contra a colaboração da empresa com as forças armadas israelenses e pelo alegado uso de suas tecnologias em operações militares na Faixa de Gaza.
- Manifesto resumido em 22 pontos foi divulgado em 18 de abril de 2026
- Documento é baseado em livro de Alexander Karp e Nicholas W. Zamiska
- Texto defende uso de IA em aplicações militares
- Publicação propõe rever acordos do pós-Segunda Guerra
- Empresa já atua junto ao setor de defesa e inteligência dos EUA
Que outros dados sobre contratos e influência aparecem na reportagem?
Segundo a matéria, dados de 2026 indicam que a empresa firmou mais de 46 ações contratuais federais com uma única agência, o ICE, desde 2011. O texto também menciona um contrato de longo prazo de até US$ 10 bilhões, assinado em agosto de 2025, para software e dados, com validade para a próxima década.
A repercussão do manifesto reforça um debate mais amplo sobre os limites da atuação de empresas privadas em áreas de soberania, defesa e inteligência. A discussão envolve não apenas o avanço tecnológico, mas também os impactos políticos, jurídicos e democráticos de sistemas de software cada vez mais integrados à tomada de decisão estatal.