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Influenciadora MAGA criada por IA rende dinheiro com conteúdo falso, diz Wired

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Um estudante de medicina de 22 anos, identificado pelo pseudônimo Sam, afirmou ter ganhado milhares de dólares por mês ao criar e monetizar uma influenciadora conservadora gerada por inteligência artificial nas redes sociais e em plataformas de assinatura de conteúdo adulto. O caso foi relatado em reportagem publicada em 21 de abril de 2026 pela Wired, que descreve como perfis políticos e sensuais criados por IA vêm atraindo audiência e receita, especialmente entre usuários alinhados ao movimento MAGA nos Estados Unidos.

De acordo com informações da Wired, Sam mora no norte da Índia, pediu anonimato para não prejudicar sua carreira médica e seu status migratório e disse ter buscado renda extra na internet. Depois de testar formatos como vídeos curtos no YouTube e venda de anotações de estudo, ele decidiu criar uma mulher fictícia com ferramentas generativas, incluindo o Google Gemini, e publicar imagens dela no Instagram.

Como surgiu a personagem Emily Hart?

Segundo a reportagem, o estudante criou em janeiro a personagem Emily Hart, apresentada como enfermeira registrada e com aparência semelhante à atriz Jennifer Lawrence. No perfil @emily_hart.nurse, ele publicava imagens da personagem em situações associadas ao imaginário conservador dos Estados Unidos, como pesca no gelo, consumo de cerveja e ida a estande de tiro, acompanhadas de legendas com mensagens pró-cristianismo, pró-Segunda Emenda, antiaborto e anti-imigração.

A Wired informa que, antes de definir esse recorte, Sam tentou publicar imagens genéricas de uma mulher atraente, mas não obteve alcance. Ele então recorreu ao Gemini em busca de orientação. A reportagem diz que, segundo transcrição fornecida por Sam, o chatbot apontou que uma persona conservadora poderia se destacar mais. Em nota à revista, um representante do Gemini afirmou que a ferramenta foi projetada para oferecer respostas neutras e não favorecer ideologias políticas específicas.

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Quanto dinheiro o criador diz ter ganhado?

Sam afirmou à Wired que o perfil cresceu rapidamente. Segundo seu relato, os vídeos publicados alcançavam milhões de visualizações e, em cerca de um mês, a conta superou 10 mil seguidores no Instagram. Parte desse público, disse ele, também passou a assinar conteúdo da personagem em Fanvue, concorrente do OnlyFans, além de comprar camisetas com frases voltadas ao público conservador.

De acordo com o estudante, a operação rendia alguns milhares de dólares por mês, com dedicação diária de 30 a 50 minutos. A reportagem observa, no entanto, que essas cifras foram apresentadas pelo próprio entrevistado. O texto também descreve que Sam disse ter usado o Grok AI para gerar imagens nuas da personagem e publicá-las no Fanvue, plataforma que, segundo a Wired, se diferencia por permitir conteúdo gerado por IA.

Por que esse tipo de perfil encontra audiência?

A reportagem relaciona o crescimento desses perfis à combinação entre ferramentas de IA mais acessíveis, baixa alfabetização digital de parte do público e estímulos dos algoritmos a conteúdo controverso. A pesquisadora Valerie Wirtschafter, da Brookings Institution, afirmou à Wired que perfis falsos não são novidade, mas que a inteligência artificial os tornou mais críveis e possivelmente ampliou seu alcance.

O texto descreve um padrão recorrente entre essas contas: mulheres brancas e loiras, muitas vezes apresentadas como enfermeiras, policiais, bombeiras ou socorristas, que misturam apelo visual com mensagens políticas de direita. Segundo a análise citada pela Wired, esse tipo de persona chama atenção também por parecer menos comum dentro do universo MAGA, especialmente entre mulheres jovens.

  • Perfis usam imagens femininas geradas por IA com estética padronizada
  • Mensagens políticas polarizadoras ampliam engajamento
  • Plataformas exigem identificação de IA, mas a fiscalização é irregular
  • Monetização costuma migrar para serviços com regras menos rígidas

O que a reportagem aponta sobre plataformas e moderação?

A Wired afirma que redes como o Instagram exigem que criadores informem quando o conteúdo é gerado por IA, mas que a aplicação dessas regras ocorre de forma inconsistente. A revista diz que as postagens de Emily Hart não estavam identificadas como produzidas por inteligência artificial e que Sam não conseguiu monetizar diretamente a conta no Instagram.

O texto também cita casos semelhantes que ganharam atenção nos últimos meses, incluindo a ascensão da personagem fictícia Jessica Foster, mencionada em reportagem do Washington Post, e outro perfil chamado @mayflowermommy13. Para a Wired, esses exemplos indicam um mercado em expansão de influenciadoras políticas falsas criadas para atrair tráfego, assinaturas e vendas. A reportagem sustenta que plataformas concorrentes do OnlyFans têm se tornado o destino preferencial desses perfis, por adotarem exigências menos rigorosas de autenticação e divulgação do uso de IA.

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