Um grupo de indígenas ocupou, na madrugada deste sábado (21), o escritório do terminal que a multinacional Cargill opera no Porto de Santarém, no Pará. De acordo com informações da Agência Brasil, o ato faz parte de uma série de protestos contra o Decreto nº 12.600, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).
Por que os indígenas estão protestando?
O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) afirmou que a ocupação foi motivada pela indignação frente à não revogação do decreto, que, segundo eles, “ameaça a qualidade da água, a pesca, a soberania alimentar e a integridade da floresta”. Em suas redes sociais, o Cita declarou:
“Estamos aqui porque defendemos o direito de existir”
, destacando que a luta não é de segurança pública, mas de justiça socioambiental e direitos humanos.
Qual é a resposta da Cargill e das autoridades?
A Cargill classificou as ações como “violentas” e afirmou que os manifestantes bloqueiam o acesso de caminhões ao terminal há 30 dias, apesar de uma ordem judicial para desocupação. A empresa está em contato com autoridades para garantir uma desocupação segura. A Secretaria-Geral da Presidência da República informou que acompanha a mobilização e defende o direito a manifestações pacíficas, comprometendo-se a consultar previamente as comunidades afetadas.
Quais são os próximos passos do governo?
O governo federal anunciou a suspensão do processo de dragagem do Rio Tapajós como um “gesto de negociação” e comprometeu-se a instituir um grupo de trabalho interministerial para discutir os processos de consulta prévia às comunidades afetadas. Além disso, garantiu que não fará intervenções sem o devido processo de licenciamento ambiental.
Fonte original: Agência Brasil
