A cientista de inteligência artificial, empreendedora e investidora Rana el Kaliouby expressou preocupação sobre a possibilidade da IA se tornar mais um “clube do bolinha” na indústria de tecnologia. Durante painel no SXSW (South by Southwest), um dos maiores festivais de inovação do mundo, realizado em Austin, no Texas (EUA), no último domingo (15 de março), El Kaliouby compartilhou sua visão de que a falta de diversidade no campo pode levar a desvantagens econômicas sistêmicas para as mulheres.
De acordo com informações publicadas pelo TechCrunch, a executiva enfatizou que a IA está criando oportunidades econômicas incríveis, mas a falta de inclusão pode impedir que o público feminino se beneficie igualmente. A preocupação da especialista reflete uma realidade que também impacta o Brasil, onde as mulheres ainda representam menos de um terço da força de trabalho no setor de tecnologia da informação, segundo dados do mercado nacional.
“Acho que a IA hoje é um clube do bolinha. Acho que a diversidade não é um tópico de conversa muito popular hoje em dia, mas acho que é tão importante porque a IA está criando uma oportunidade econômica incrível”, disse El Kaliouby.
El Kaliouby, que vendeu sua empresa de software de detecção de emoções Affectiva em 2021 e agora é cofundadora e sócia-gerente da Blue Tulip Ventures, mencionou que três em cada quatro investimentos de sua empresa são destinados a startups lideradas por mulheres (CEOs).
Por que a falta de diversidade na IA é uma preocupação?
A especialista enfatizou que não investe “apenas” em mulheres, mas se dedica a procurar e apoiar fundadoras, oferecendo suporte financeiro e estratégico, pois muitas vezes elas não recebem as oportunidades que merecem no ecossistema tradicional. Ela ressaltou que a exclusão das mulheres na fundação de empresas, no acesso a capital de risco e nos investimentos pode agravar drasticamente a desigualdade econômica no futuro.
Qual o impacto do retrocesso em programas de diversidade?
A referência de El Kaliouby à atual “impopularidade” do tema da diversidade acompanha o retrocesso nos programas e iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) nos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, movimento que se estendeu à indústria de tecnologia norte-americana. Essas mudanças afetam não apenas as práticas de contratação das empresas, mas também o desenvolvimento de seus produtos. Na IA, por exemplo, grandes companhias podem sentir pressão para alinhar os resultados de seus algoritmos com as prioridades da Casa Branca.
Quais são as implicações além das desvantagens econômicas?
Para El Kaliouby, o problema não se resume à desvantagem financeira, mas ao impacto final da tecnologia. Ela alerta que a falta de ética e de diversidade de pensamento pode gerar modelos enviesados e resultados negativos para a sociedade, enfatizando a importância de defender o fator humano no desenvolvimento de inteligência artificial.
O que pode ser feito para mudar esse cenário?
Apesar dos desafios, El Kaliouby expressou otimismo em relação ao momento atual, destacando a necessidade urgente de intervenção e defesa de valores éticos e de inclusão. Ela acredita que este é o momento crucial para que lideranças femininas usem suas vozes para moldar o desenvolvimento da inteligência artificial, garantindo que o setor seja mais representativo e equitativo globalmente.