A paciente Maria Suely de Oliveira Moreira, de 62 anos, recebeu alta hospitalar na última segunda-feira (20) após permanecer 80 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Deputado Jandhuy Carneiro, em Patos. De acordo com informações do Governo da Paraíba, trata-se da segunda desospitalização realizada pela unidade com a garantia de acompanhamento integral por meio do Programa de Internação Domiciliar (Home Care PB), permitindo que a continuidade do tratamento ocorra no ambiente familiar com assistência profissional 24 horas.
Diagnosticada com uma doença neurodegenerativa progressiva, a paciente enfrenta limitações severas de mobilidade e depende de cuidados especializados constantes. Durante a saída da ala hospitalar, Maria Suely foi homenageada pela equipe de saúde com um certificado simbólico de “Vitória”, em um ato que marcou a transição do ambiente intensivo para o domiciliar. O modelo assistencial adotado busca equilibrar a segurança clínica necessária para o quadro da paciente com a humanização do atendimento fora das dependências do hospital.
Como funciona o suporte clínico na internação domiciliar?
O processo de desospitalização não interrompe o tratamento, mas o transfere para um local mais acolhedor. Para garantir a estabilidade de Maria Suely, o Home Care PB disponibiliza uma estrutura técnica que supre as necessidades vitais e preventivas da paciente. Segundo o diretor técnico do hospital, o médico Pedro Augusto, a iniciativa prioriza o bem-estar do indivíduo sem comprometer a vigilância técnica.
Os cuidados exigidos pelo quadro clínico da paciente incluem:
- Suporte de ventilação mecânica contínua para auxílio respiratório;
- Assistência de enfermagem ininterrupta, disponível 24 horas por dia;
- Terapia Nutricional Enteral (TNE) realizada via sonda especializada;
- Acompanhamento fisioterapêutico constante para manutenção da função respiratória;
- Prevenção de complicações clínicas decorrentes da imobilidade prolongada.
A iniciativa reforça o compromisso com um modelo de cuidado mais humanizado, que prioriza o bem-estar do paciente sem abrir mão da segurança e da continuidade do tratamento
Qual a importância do Serviço Social na transição do paciente?
A viabilização da alta assistida dependeu de uma articulação técnica coordenada pelo Serviço Social do Hospital Regional de Patos. A equipe realizou uma escuta qualificada dos familiares e avaliou se o ambiente doméstico possuía as condições estruturais mínimas para receber os equipamentos médicos. Suenia Mota, coordenadora do setor, ressaltou que o momento simboliza a dignidade no convívio familiar.
A advogada Debora de Oliveira Xavier, filha da paciente, destacou a relevância do suporte recebido durante os quase três meses de internação. Com experiência na área de direito médico, ela enfatizou que a agilidade na concessão do benefício pelo estado foi crucial, visto que processos judiciais para obtenção de assistência domiciliar costumam ser morosos.
Foram 80 dias de UTI e tenho um agradecimento extremo ao hospital, em especial às profissionais Suenia e Raelma, que me deram um respaldo imenso nesse processo de desospitalização
O Programa de Internação Domiciliar é apontado por especialistas em gestão hospitalar como uma ferramenta eficaz para a otimização de leitos públicos e para a redução drástica dos riscos de infecções hospitalares. Ao permitir que pacientes crônicos ou estáveis retornem aos seus lares, o Governo da Paraíba busca oferecer um tratamento que minimize o impacto psicológico do isolamento hospitalar, favorecendo a recuperação em um contexto de maior afeto e conforto.