O **Hospital Regional do Sudeste do Pará Dr. Geraldo Veloso** (HRSP), localizado em **Marabá**, atingiu nesta semana a marca histórica de dez mil pessoas beneficiadas por projetos de humanização em 2026. Entre os meses de janeiro e abril, a unidade de saúde realizou 94 iniciativas que visam transformar a experiência hospitalar por meio de acolhimento, escuta ativa e suporte emocional para pacientes e acompanhantes do **Sudeste do Pará**.
De acordo com informações da Agência Pará, o hospital é gerido pela **Secretaria de Estado de Saúde Pública** (Sespa) e oferece atendimento integralmente gratuito pelo **Sistema Único de Saúde** (SUS). O balanço do primeiro quadrimestre do ano destaca a eficácia de projetos que unem a excelência técnica clínica ao cuidado sensível com o bem-estar psicológico dos usuários.
Quais são os principais projetos de educação e acolhimento no hospital?
Dentre as frentes de atuação, o projeto “Saúde em Foco” ganha relevância ao converter o tempo de espera por exames e consultas em oportunidades de aprendizado. A iniciativa promove palestras e orientações sobre prevenção de doenças e manutenção da qualidade de vida, aproximando o corpo técnico da comunidade atendida em **Marabá** e cidades vizinhas.
O usuário Marcos Silva, de 28 anos, participou da ação enquanto aguardava a realização de uma ressonância magnética e destacou a importância da abordagem informativa.
Tive acesso a informações importantes sobre saúde e prevenção. Isso faz diferença, porque entendemos melhor como cuidar e nos sentimos mais seguros. É um projeto que aproveita o tempo de espera de forma útil e acolhedora
, afirmou o morador da região de **Carajás**.
Como a arte e a música auxiliam no tratamento de pacientes graves?
A humanização no **Hospital Regional de Marabá** também se manifesta em intervenções artísticas que buscam suavizar o ambiente hospitalar. O grupo de palhaçaria “Plantão do Amor” percorre os leitos levando música e atividades lúdicas, fator que contribui diretamente para a redução do estresse em pacientes submetidos a tratamentos complexos, como a quimioterapia.
A paciente Márcia Santos, de 53 anos, relatou como a presença do grupo impactou sua rotina durante as sessões oncológicas na unidade.
Em um momento tão difícil, ver esse tipo de ação muda o nosso dia. A gente até esquece um pouco da dor e se sente mais acolhida
, relatou. Tais ações são fundamentais para humanizar o ambiente clínico e fortalecer o emocional de quem enfrenta internações prolongadas.
De que forma a unidade atende crianças e recém-nascidos?
A ala pediátrica e a **UTI Neonatal** contam com metodologias específicas de suporte. O projeto “Aconchego” utiliza polvinhos de crochê para acalmar bebês prematuros, simulando a textura do cordão umbilical e promovendo conforto térmico e sensorial. Para as crianças maiores, a unidade desenvolve as seguintes atividades:
- Certificado de Bravura: Entrega de uma honraria simbólica para crianças que recebem alta, celebrando a superação do tratamento;
- Cinema na Palma da Mão: Disponibilização de tablets com filmes e desenhos animados nos leitos de internação;
- Hora Lúdica e Contos de Esperança: Sessões de contação de histórias e oficinas de pintura para distração pedagógica;
- Corte de Cabelo: Oferta de serviços de barbearia e cabeleireiro para resgatar a autoestima de pacientes internados.
Qual é a estratégia técnica por trás da humanização hospitalar?
Segundo Dayane Uszynski, analista de humanização do HRSP, o cuidado integral é a diretriz que norteia o planejamento das 20 iniciativas contínuas da instituição.
A humanização é enxergar o outro além da doença. É oferecer cuidado com empatia, respeitando histórias, sentimentos e necessidades, transformando o ambiente hospitalar em espaço de acolhimento
, explicou a especialista.
A infraestrutura do hospital também corrobora para a qualidade do serviço. O **Hospital Regional do Sudeste do Pará** possui o Nível 2 de Acreditação da **Organização Nacional de Acreditação** (ONA), que atesta a segurança e a gestão integrada. A unidade dispõe de 135 leitos, sendo 97 destinados à internação clínica e 38 às Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).
O diretor-executivo da unidade, Flávio Marconsini, reforça que o acolhimento é um compromisso institucional inegociável.
Nosso objetivo é garantir um atendimento que una excelência técnica e sensibilidade no cuidado. Cada ação desenvolvida aqui busca valorizar o paciente em sua totalidade
, concluiu o gestor. O hospital permanece como referência em alta complexidade para a região, consolidando o modelo de gestão humanizada no sistema público de saúde paraense.