A Honda anunciou na quinta-feira, 24 de abril de 2026, que deixará de vender automóveis na Coreia do Sul no fim de 2026, em meio a prejuízos e à revisão de sua estratégia para veículos elétricos. A decisão atinge a operação da Honda Korea, subsidiária de vendas da empresa em Seul, e ocorre enquanto a montadora busca concentrar recursos para reforçar sua competitividade no médio e no longo prazo. De acordo com informações do Valor Econômico, a companhia manterá os serviços de pós-venda e continuará comercializando motocicletas no país.
A empresa japonesa vende motocicletas no mercado sul-coreano desde 2002 e automóveis desde 2004. Até este mês, a Honda Korea contava com 84 funcionários. Segundo a companhia, a interrupção das vendas de carros foi definida após análise do ambiente do setor automotivo global e sul-coreano e faz parte de um movimento de reorganização dos negócios diante das dificuldades recentes.
Por que a Honda vai sair do mercado de automóveis na Coreia do Sul?
Em comunicado, a montadora afirmou que decidiu encerrar a operação de venda de automóveis no país “em vista das mudanças no cenário dos mercados automotivos global e sul-coreano”. A empresa também informou que a medida foi tomada “após cuidadosa análise, visando concentrar recursos corporativos para fortalecer sua competitividade a médio e longo prazo”.
O movimento ocorre em um momento de forte pressão sobre os resultados da Honda. A empresa anunciou em 2021 a meta de fazer com que veículos elétricos de emissão zero e modelos a célula de combustível representassem 100% de suas vendas globais de automóveis novos até 2040. No entanto, no mês passado, decidiu cancelar o desenvolvimento de três modelos de veículos elétricos planejados para a América do Norte.
Como está o desempenho da Honda no mercado sul-coreano?
No mercado de automóveis da Coreia do Sul, a Honda comercializa o sedã Accord e o SUV CR-V. Ainda assim, a presença da marca é limitada em um setor dominado por fabricantes locais. Hyundai Motor e Kia concentram cerca de 90% do mercado sul-coreano de veículos.
De acordo com a empresa de pesquisa automotiva MarkLines, sediada em Tóquio, a Honda vendeu 1.458 veículos na Coreia do Sul no ano fiscal encerrado em março de 2026. O número representa queda de 44% em relação ao ano anterior, indicando o enfraquecimento da operação no país.
O que muda para consumidores e proprietários de veículos da marca?
Apesar do encerramento das vendas de automóveis, a Honda informou que continuará oferecendo serviços de pós-venda na Coreia do Sul. Isso inclui:
- manutenção de veículos;
- fornecimento de peças;
- continuidade da operação de motocicletas no país.
Com isso, clientes que já possuem veículos da marca seguirão tendo acesso à rede de atendimento e suporte após o fim da comercialização de novos automóveis.
Como a revisão da estratégia global da Honda influencia essa decisão?
A saída do mercado sul-coreano ocorre em paralelo a uma revisão mais ampla da estratégia da montadora. A empresa apontou demora para se adaptar às revisões nas políticas de apoio a veículos elétricos durante o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um cenário de demanda fraca.
Segundo a Honda, as despesas e prejuízos totais podem chegar a 2,5 trilhões de ienes até o ano fiscal que termina em março de 2027. No mês passado, a companhia também anunciou que espera registrar prejuízo líquido de até 690 bilhões de ienes no ano fiscal de 2025, encerrado em 31 de março de 2026. A previsão anterior era de lucro líquido de 300 bilhões de ienes. Se confirmado, será o primeiro prejuízo líquido da empresa desde sua abertura de capital, em 1957.
Em comunicado divulgado anteriormente, a montadora atribuiu a piora da rentabilidade do negócio automobilístico a mudanças nas categorias de veículos com motor de combustão interna e híbridos elétricos, em razão de alterações na política do governo dos Estados Unidos. A empresa também citou “um declínio na competitividade dos produtos Honda na Ásia devido ao impacto da alocação de mais recursos para o desenvolvimento de veículos elétricos”.
No mesmo contexto, a Honda anunciou no mês passado a interrupção do desenvolvimento do veículo elétrico Afeela, que vinha sendo criado em parceria com o Grupo Sony. A decisão de deixar de vender carros na Coreia do Sul sinaliza, portanto, que a revisão da companhia não se limita ao portfólio de produtos, mas também alcança sua estratégia regional de vendas.
O CEO da Honda, Toshihiro Mibe, deverá apresentar os resultados financeiros do ano fiscal recém-encerrado e detalhar as iniciativas futuras da empresa em 14 de maio.