A Georgia Power poderá permitir que grandes consumidores de energia viabilizem seus próprios projetos de energia limpa para atender suas operações, após aprovação unânime do modelo pelos reguladores estaduais na semana passada, na Geórgia, nos Estados Unidos. O programa, chamado Customer Identified Resource, prevê que clientes de grande porte paguem por recursos de energia limpa em troca de certificados de energia renovável e de crédito pelo valor da energia gerada, em meio ao aumento projetado da demanda elétrica nos próximos anos.
De acordo com informações da Utility Dive, a estrutura aprovada permite até 3 GW de recursos identificados pelos clientes até 2035. Segundo a Clean Energy Buyers Association, esse volume representa a maior parte do plano da empresa para contratar 4 GW de novas fontes renováveis no mesmo período.
Como funciona o novo programa da Georgia Power?
O programa Customer Identified Resource permite que grandes clientes apresentem projetos próprios de energia limpa, dentro de uma segunda rodada de solicitações de propostas do programa Clean and Renewable Energy Subscription. Conforme Jamie Barber, diretor da unidade de eficiência energética e energia renovável da Georgia Public Service Commission, os projetos elegíveis podem estar localizados em outros estados, desde que consigam entregar energia à Georgia Power dentro de um modelo de interconexão aprovado.
A iniciativa amplia um mecanismo já existente da companhia. No programa anterior, os clientes podiam adquirir uma participação proporcional na produção de recursos renováveis contratados por meio do processo competitivo da empresa, enquanto a concessionária fazia a aposentadoria dos certificados de energia renovável em nome do consumidor.
Qual é o objetivo da medida?
A proposta surge em um contexto de crescimento da carga elétrica associada a grandes consumidores comerciais e industriais. Embora o pipeline de grandes clientes da Georgia Power tenha diminuído desde o início de 2025, a empresa informou aos reguladores, em novembro, que ainda vê mais de 50 GW de nova carga comercial e industrial entrando em operação nos próximos anos.
Em fevereiro, a controladora da Georgia Power elevou seu plano de investimentos de cinco anos de US$ 76 bilhões para US$ 81 bilhões, com foco em sustentar o crescimento na Geórgia, Alabama e Mississippi. No mesmo mês, o Departamento de Energia dos Estados Unidos e a Southern Co. concluíram um pacote de financiamento de US$ 26,5 bilhões, descrito como o maior empréstimo da história do órgão, para apoiar quase 6 GW de nova capacidade a gás ou modernizada, além de transmissão, reforços na rede e outros ativos.
Que impacto isso pode ter sobre a expansão energética?
A aprovação do programa reforça uma tendência entre formuladores de políticas públicas e reguladores de exigir maior participação financeira das empresas por trás de novos data centers e instalações industriais nos custos de geração e transmissão necessários para atender essa expansão. Na Geórgia, a lógica do novo modelo é justamente fazer com que grandes clientes financiem seus próprios recursos energéticos.
O plano também se conecta ao portfólio energético mais amplo da Georgia Power. O mais recente plano integrado de recursos da companhia, aprovado em julho, estende até 2038 a vida útil de duas usinas a carvão com cerca de 4 GW de capacidade combinada, que antes estavam previstas para fechamento em 2028 e 2035. Esse mesmo plano também autoriza a contratação de até 4 GW de fontes renováveis e mais de 1,5 GW de armazenamento em baterias.
O que disseram as entidades envolvidas?
A vice-presidente de política da Clean Energy Buyers Association, Nidhi Thakar, afirmou em comunicado que o programa pode servir de referência para expansão em outras regiões dos Estados Unidos.
“the first of many that can scale nationally to bring new energy resources to the system more quickly”
Ela também declarou que a associação vê uma oportunidade de parceria com concessionárias para que seus membros participem da resposta ao aumento da demanda, ao mesmo tempo em que agregam novos recursos limpos ao sistema e apoiam investimentos considerados críticos para a rede elétrica.
“We see this fantastic opportunity for utility partnership to better devise programs where our members want to be part of the solution for meeting surging demand … by bringing clean resources to the system while supporting critical infrastructure investments needed in our grid”
Já Priya Barua, diretora de parcerias com concessionárias e inovação da entidade, disse que o novo programa dá aos grandes clientes uma forma de alinhar melhor seu consumo com recursos de energia limpa financiados por eles próprios.
“This new program gives large customers the opportunity to better match their loads with large-scale, customer-funded clean energy resources, ensuring companies with high energy demands can contribute meaningfully to the broader electricity system”
Entre os principais pontos do modelo aprovado, estão:
- limite de até 3 GW de recursos identificados por clientes até 2035;
- possibilidade de projetos em outros estados, desde que haja entrega de energia à Georgia Power por interconexão aprovada;
- participação voltada a grandes consumidores de energia;
- integração com a segunda rodada do programa Clean and Renewable Energy Subscription.