Falta de dados estruturados limita uso de robôs na construção civil, apontam especialistas em feira nos EUA - Brasileira.News
Início Brasil Infraestrutura & Urbanismo Falta de dados estruturados limita uso de robôs na construção civil, apontam...

Falta de dados estruturados limita uso de robôs na construção civil, apontam especialistas em feira nos EUA

0
12
Robô industrial parado em canteiro de obras com plantas e ferramentas ao redor.
Foto: Autor / Flickr (CC BY)

O que está impedindo a adoção em massa de robôs na construção civil? A resposta, segundo especialistas, não está na tecnologia em si, mas na falta de dados padronizados e estruturados para alimentar essas máquinas. A constatação foi um dos pontos centrais de um painel realizado durante a feira New York Build, evento do setor da construção realizado em Nova York, nos Estados Unidos. De acordo com informações do Construction Dive, apesar de existirem casos de sucesso, as empresas esbarram em uma limitação familiar: a qualidade e a interoperabilidade das informações disponíveis.

Embora o debate tenha ocorrido no mercado americano, o tema também dialoga com o setor brasileiro, onde a digitalização de projetos e obras é apontada como etapa importante para ampliar produtividade, rastreabilidade e integração entre etapas da construção. Ferramentas como o BIM já fazem parte dessa discussão no Brasil, especialmente em grandes empreendimentos e contratos públicos.

Os robôs e sistemas de automação dependem de dados precisos e consistentes para executar tarefas como alvenaria, soldagem, inspeção e logística no canteiro de obras. No entanto, a indústria da construção ainda opera com uma miríade de formatos, softwares e processos desconexos, o que cria uma barreira digital significativa. Sem um fluxo de informações confiável, os robôs não conseguem “entender” o ambiente ou realizar trabalhos complexos com a eficiência prometida.

Quais são os principais desafios para a coleta de dados?

O setor enfrenta dificuldades históricas na digitalização. Muitos projetos ainda dependem de planilhas, desenhos em papel 2D e comunicação fragmentada entre as diferentes equipes e fornecedores. Essa desorganização informacional impede a criação de um “gêmeo digital” confiável da obra, que seria o modelo virtual necessário para programar e guiar os robôs com segurança e precisão.

— Publicidade —
Google AdSense • Slot in-article

Um executivo presente no painel destacou que o problema não é a escassez de dados, mas sim sua fragmentação. “Temos dados em vários lugares, em diferentes formatos e graus de atualização. O desafio é consolidá-los em uma fonte única da verdade que um sistema automatizado possa consumir”, explicou. Essa falta de padronização aumenta o custo e o tempo de implantação de soluções robóticas, tornando o retorno sobre o investimento menos atrativo para muitas construtoras.

Como superar essa barreira e avançar?

Especialistas apontam que a solução passa pela adoção mais ampla de metodologias como o BIM (Building Information Modeling) e o estabelecimento de protocolos abertos de troca de dados. A criação de padrões setoriais permitiria que informações fluíssem de forma integrada desde a fase de projeto até a execução e a manutenção, alimentando os sistemas robóticos de maneira contínua.

“A indústria precisa primeiro resolver seus problemas de dados antes de poder colher todos os benefícios da robótica”, afirmou um dos participantes do debate em Nova York.

As empresas que já implementaram robôs com sucesso geralmente são aquelas que investiram previamente na organização e na qualidade de seus dados. Os benefícios reportados incluem:

  • Maior precisão e redução de retrabalho
  • Aumento da segurança ao retirar trabalhadores de tarefas perigosas
  • Ganhos de produtividade em atividades repetitivas
  • Melhor controle de prazos e custos

O consenso entre os especialistas é que a robotização é inevitável para enfrentar desafios como a escassez de mão de obra qualificada e a pressão por maior eficiência. No entanto, o caminho para uma construção verdadeiramente automatizada depende menos de braços mecânicos futuristas e mais de uma base de dados sólida, organizada e acessível — um trabalho fundamental, porém menos visível, que precisa ser priorizado.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here