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Expurgo de bots no X suspende contas usadas para acompanhar conteúdo adulto

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O X ampliou em abril de 2026 uma operação para remover contas automatizadas, mas a medida também atingiu perfis mantidos por usuários reais para acompanhar e organizar conteúdo adulto de forma privada. De acordo com informações da Wired, a ofensiva levou à suspensão e à exclusão de contas secundárias, conhecidas como “alts”, usadas havia anos por parte dos usuários para seguir criadores, curar publicações e arquivar conteúdos sem interação pública.

A reportagem cita o caso de Justin Diego, influenciador de notícias sobre celebridades com 617 mil seguidores somados em YouTube e Instagram. Segundo o relato, ele criou em 2024 uma conta secreta no X para acompanhar criadores do OnlyFans, sem publicar conteúdo. Ao acessar o perfil no fim de semana, recebeu a notificação de que a conta havia sido suspensa.

Como a ofensiva contra bots no X passou a afetar contas de usuários reais?

Segundo a Wired, o movimento faz parte de uma intensificação da política do X contra atividade considerada “inautêntica”, em especial contas falsas, inativas ou classificadas como spam. O chefe de produto da plataforma, Nikita Bier, afirmou em publicação de 9 de abril que o sistema estava sinalizando e suspendendo “208 bots por minuto e aumentando”.

O problema, de acordo com a reportagem, é que contas privadas usadas apenas para observar, republicar ou interagir discretamente com conteúdos podem ter sido identificadas pelos sistemas da plataforma como perfis de spam voltados a inflar engajamento. A Wired informa que o X não respondeu a múltiplos pedidos de comentário sobre quantos bots de fato foram removidos desde o início de abril.

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Entre os relatos reunidos pela publicação, usuários descreveram perda repentina de acervos digitais montados ao longo de anos. O ator Tom Zohar, de San Diego, escreveu na plataforma:

“Not a single rule was violated mind you, years of curation and accumulation gone in a flash for no reason.”

Outro usuário resumiu a frustração ao dizer que sua conta usada havia seis anos também foi suspensa. Já Justin Diego afirmou à Wired que perfis desse tipo atendem a uma necessidade de privacidade no consumo de conteúdo.

“Sometimes people just need a page that’s specifically for them to engage with content they don’t want other people to know they’re into. That doesn’t make you a bot; that makes you human, actually.”

Essa operação é inédita ou faz parte de uma estratégia mais ampla da empresa?

A matéria informa que a ação atual não surgiu de forma isolada. Em outubro, a equipe de Nikita Bier havia removido 1,7 milhão de bots em uma tentativa de reduzir spam em respostas, com a previsão de depois concentrar esforços em spam por mensagens diretas. Nas semanas anteriores a abril, Bier também explicou que quase metade da equipe de produto estava focada em melhorar ferramentas de mitigação de spam, incluindo sistemas de detecção de bots e mecanismos automatizados de aplicação de regras.

A ampliação da moderação automatizada, porém, vem gerando reação entre usuários. A reportagem menciona uma petição no Change.org pedindo o restabelecimento de contas e criticando a dependência excessiva de sistemas de inteligência artificial para distinguir contas humanas de contas automatizadas.

  • A operação foi intensificada em abril de 2026.
  • O X informou publicamente que suspendia 208 bots por minuto em 9 de abril.
  • A empresa já havia anunciado a remoção de 1,7 milhão de bots em outubro.
  • Usuários relatam perda de contas privadas mantidas há anos.

Por que o caso vai além da simples moderação de spam?

Para a Wired, as reações expõem a dificuldade de equilibrar fiscalização agressiva com precisão na aplicação das regras. A reportagem lembra que o X enfrenta críticas recorrentes sobre moderação desde que passou ao controle de Elon Musk, em meio a debates sobre discurso de ódio, assédio, desinformação e falhas de segurança em outras frentes da plataforma.

O texto também destaca que, ao mesmo tempo em que a rede tenta conter maus atores, ela funciona para parte dos usuários como um espaço de circulação de mídia sexual consensual e de educação queer. Nesse contexto, medidas amplas de remoção podem afetar de forma desproporcional comunidades que dependem desses ambientes digitais para informação, identidade e sociabilidade.

Alexander Monea, professor associado da George Mason University e autor de The Digital Closet: How the Internet Became Straight, afirmou à Wired:

“When social media platforms purge sexual content, queer and trans creators are always collateral damage.”

Segundo a reportagem, algumas contas chegaram a ser restabelecidas, mas muitos usuários continuam dizendo que foram excluídos inesperadamente de perfis construídos durante anos. Justin Diego declarou estar surpreso porque mantinha uma assinatura premium e ainda tenta reverter a suspensão, embora seus recursos não tenham tido sucesso até o momento.

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