A Europa lançou oficialmente nesta quinta-feira, 16, a Eurosky, uma nova infraestrutura de redes sociais criada para reduzir a dependência das grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O projeto foi apresentado como uma base técnica sobre a qual diferentes plataformas poderão ser desenvolvidas, com dados hospedados em servidores locais e submetidos às regras da União Europeia. De acordo com informações do Olhar Digital, a iniciativa busca dar aos usuários maior controle sobre suas informações e criar uma alternativa ao domínio de grupos como Meta e X.
Segundo o texto, a Eurosky não foi concebida como um aplicativo único, mas como uma estrutura compartilhada para múltiplos serviços. A proposta é que perfis, postagens e conexões fiquem sob controle do próprio usuário, em vez de permanecerem concentrados nas plataformas. A reportagem informa ainda que o projeto segue rigorosamente a legislação europeia e foi descrito pela Euronews como uma resposta à necessidade de soberania digital no bloco.
O que é a Eurosky e como a estrutura deve funcionar?
A iniciativa se apresenta como um ecossistema de rede social apoiado em uma infraestrutura descentralizada. Na prática, diferentes aplicativos podem ser construídos sobre essa base, permitindo interoperabilidade entre serviços e um modelo em que a identidade do usuário não dependa exclusivamente de uma única empresa.
De acordo com a reportagem, a Eurosky oferece alguns elementos centrais para esse funcionamento:
- identidade digital única, utilizável em diferentes aplicativos do ecossistema;
- Servidores de Dados Pessoais, onde posts, perfis e conexões ficam reunidos sob controle do usuário;
- conformidade com as normas de privacidade da União Europeia.
Esse desenho busca enfrentar a concentração de dados nas plataformas dominantes e responder a pressões por alternativas digitais sediadas na Europa. O tema ganhou força em meio ao acirramento das tensões entre Bruxelas e empresas do Vale do Silício, conforme relatado no artigo original.
Por que o projeto surge agora?
O lançamento ocorre em um contexto de atritos entre autoridades europeias e grandes companhias de tecnologia. Segundo a reportagem, a Comissão Europeia aplicou multas ao X por violações de transparência, enquanto o chatbot Grok foi alvo de críticas por gerar imagens falsas de nudez sem consentimento, em casos classificados como deepfakes.
O texto também afirma que cerca de 50 parlamentares europeus pressionaram pela criação de redes sociais próprias. Nesse cenário, a Eurosky aparece como uma resposta política e tecnológica à preocupação com privacidade, governança de dados e dependência estrutural de plataformas estrangeiras.
Qual tecnologia sustenta a Eurosky?
A infraestrutura usa o AT Protocol, o mesmo framework de código aberto que dá suporte ao Bluesky. Esse protocolo permite que usuários conectem suas identidades a diferentes serviços de forma descentralizada, sem ficarem presos a uma única plataforma.
Sebastian Vogelsang, cofundador da Eurosky e CEO do Flashes.app, comentou a proposta durante uma coletiva de imprensa.
“A parte social foi removida cirurgicamente pelas Big Techs. A verdadeira oportunidade aqui é trazer o aspecto social de volta para as redes sociais”
A fala reforça o posicionamento do grupo de que a disputa não se limita à criação de um novo aplicativo, mas envolve a tentativa de reorganizar a base técnica e a lógica de controle de dados nas redes sociais.
O que falta para a independência completa do ecossistema?
Embora tenha sido lançada oficialmente, a Eurosky ainda utiliza parte da infraestrutura central do Bluesky, especialmente na área de moderação de conteúdo. Isso significa que a autonomia total do ecossistema ainda está em construção, de acordo com a reportagem.
O grupo por trás da iniciativa, que reúne tecnólogos, empreendedores e nomes como Robin Berjon, ex-estrategista de dados do The New York Times, já definiu um cronograma para alcançar independência completa. O plano inclui a criação de um sistema compartilhado de moderação que poderá ser licenciado a desenvolvedores de aplicativos na Europa.
Segundo o artigo, Sebastian Vogelsang avalia que esse caminho é necessário para enfrentar a hegemonia de empresas como Alphabet, controladora do Google, e ByteDance, dona do TikTok. Com isso, a Eurosky passa a ser apresentada como uma tentativa de construir uma alternativa europeia no campo das redes sociais, com foco em descentralização, regulação local e controle de dados pelos usuários.