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EUA planejam produção em massa de drone Shahed, copiado do Irã

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U.S. Wants to Mass Produce the Drone Design It Stole From Iran

Os drones Shahed iranianos ganharam notoriedade pelo baixo custo e alto poder de destruição, inclusive causando as primeiras baixas americanas na Guerra do Irã, com a morte de seis militares dos EUA no Kuwait em 1º de março de 2026. Os Estados Unidos copiaram o design desse drone de ataque, também conhecido como “kamikaze”, a partir de modelos usados pela Rússia e abatidos na Ucrânia. Agora, o país planeja a produção em massa desses drones de baixo custo, segundo reportagem do Wall Street Journal. Essa mudança global na estratégia militar atrai a atenção de países como o Brasil, cujas Forças Armadas também avaliam a transição para sistemas não tripulados mais econômicos visando a vigilância de suas extensas fronteiras.

De acordo com o jornal, Emil Michael, subsecretário de defesa para pesquisa e engenharia, declarou nesta terça-feira (17 de março): “Após poucos anos, continuamos a refinar isso e transformar em algo que podemos produzir em massa”. Ele acrescentou: “Eles têm funcionado muito bem até agora e provaram ser uma ferramenta útil no arsenal”.

A versão americana do drone Shahed é chamada de Low-cost Uncrewed Combat Attack System (LUCAS – Sistema de Ataque em Combate Não Tripulado de Baixo Custo), originalmente produzida pelos militares dos EUA para fins de treinamento, conforme informações do Defense One. Com um custo de produção estimado entre R$ 125 mil e R$ 250 mil (US$ 25 mil a US$ 50 mil), o apelo é evidente, especialmente considerando que os gastos dos EUA na guerra no Irã já ultrapassam R$ 80 bilhões (US$ 16 bilhões). Acredita-se que o custo unitário da versão americana seja de cerca de R$ 175 mil (US$ 35 mil).

Por que os EUA querem produzir drones semelhantes aos iranianos?

O Irã tem fornecido drones Shahed-136 à Rússia para a guerra contra a Ucrânia, que se intensificou desde a invasão russa no início de 2022. A quantidade exata de Shaheds que o Irã possui é incerta, mas relatórios de 2025 indicavam que o país enfrentava dificuldades para atender à demanda russa. No entanto, o Irã certamente tem capacidade para gerar preocupação e instabilidade para os EUA, especialmente em um contexto de tensões contínuas. A instabilidade no Oriente Médio afeta diretamente a economia global, impactando o preço do barril de petróleo e, consequentemente, os combustíveis e a inflação no Brasil.

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Quando os Houthis no Iêmen lançaram drones contra navios no Mar Vermelho após o ataque de 7 de outubro de 2023 a Israel, os EUA estavam utilizando mísseis de R$ 10 milhões (US$ 2 milhões) para abater drones que custavam apenas R$ 10 mil (US$ 2 mil), segundo o Politico. Essa situação expôs a necessidade de uma estratégia mais eficiente em termos de custos para neutralizar essas ameaças.

Qual a alternativa aos mísseis de alto custo?

A discussão sobre uma estratégia mais econômica para derrotar os drones tem envolvido o uso de lasers. Como reportado pelo 60 Minutes, o custo de abater um drone com um míssil é de milhões de dólares, enquanto o custo por disparo com um laser é inferior a R$ 25 (US$ 5). No entanto, os lasers apresentam limitações em condições climáticas adversas ou em ambientes arenosos, o que representa um desafio em áreas desérticas.

O Wall Street Journal também informa que a Rússia está compartilhando tecnologia de drones e imagens de satélite com o Irã. A Rússia iniciou a produção doméstica de Shaheds e agora está enviando os drones para o Irã com algumas melhorias. O jornal destaca que a Rússia está adaptando os Shaheds “para navegar e atingir alvos com mais precisão, bem como resistir à interferência de guerra eletrônica”.

Qual o impacto da assistência russa ao Irã?

O jornal relata que a assistência da Rússia ao Irã é importante, mas “limitada”, dada a sua própria necessidade de drones para atacar a Ucrânia. A Rússia também se beneficia da redução de interceptores fornecidos pelos EUA à Ucrânia, à medida que os Estados Unidos se concentram em sua própria nova guerra.

Os drones MQ-9 Reaper americanos, mais avançados e caros, estão sendo usados no Irã, mas seu alto preço não os torna invencíveis. Os EUA perderam mais de uma dezena dessas aeronaves não tripuladas em ataques iranianos desde o início da guerra, de acordo com um relatório da ABC News.

Os Reapers custam cerca de R$ 80 milhões (US$ 16 milhões) cada, o que explica o interesse dos EUA em produzir seu próprio Shahed, ou LUCAS, como os americanos estão chamando.

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