Os Estados Unidos determinaram o envio de um alerta diplomático global sobre suspeitas de que empresas chinesas, entre elas a DeepSeek, estejam tentando obter propriedade intelectual de laboratórios americanos de inteligência artificial por meio da chamada destilação de modelos. A medida foi relatada a partir de um documento diplomático obtido pela Reuters e citada pelo Olhar Digital. Segundo o texto, o objetivo é alertar governos estrangeiros sobre riscos associados ao uso de modelos de IA derivados de sistemas proprietários dos EUA e preparar eventual acompanhamento diplomático do tema.
De acordo com informações do Olhar Digital, o documento menciona esforços supostamente generalizados de companhias chinesas para extrair capacidades de modelos americanos. Além da DeepSeek, o cabo diplomático também cita as empresas Moonshot AI e MiniMax. Até o momento descrito no texto original, o Departamento de Estado dos EUA, a DeepSeek e a Embaixada da China em Washington não haviam respondido aos pedidos de comentário.
O que é a destilação de modelos de IA?
A destilação é descrita como um processo em que modelos menores de inteligência artificial são treinados com base nas saídas geradas por modelos maiores e mais caros. Na prática, essa técnica pode ser usada para reduzir custos no desenvolvimento de novas ferramentas. O documento diplomático americano, porém, sustenta que esse mecanismo pode ser empregado de forma não autorizada para reproduzir capacidades de sistemas proprietários desenvolvidos nos Estados Unidos.
No texto, o governo americano afirma que pretende alertar interlocutores internacionais sobre os riscos do uso de modelos de IA destilados a partir de tecnologia proprietária dos EUA. O cabo foi enviado a postos diplomáticos e consulares ao redor do mundo e orienta funcionários a tratar com governos estrangeiros de preocupações sobre a extração e destilação de modelos americanos por países considerados adversários.
Quais empresas e autoridades aparecem no documento?
A DeepSeek aparece como a empresa mais destacada no relato. O artigo informa que a startup chinesa, conhecida por um modelo de baixo custo que chamou atenção no setor no ano passado, lançou na sexta-feira uma prévia de um novo modelo adaptado à tecnologia de chips da Huawei. Segundo a reportagem, esse movimento foi apresentado como mais um sinal do avanço da autonomia chinesa no setor de inteligência artificial.
Além da DeepSeek, o documento menciona a Moonshot AI e a MiniMax. O texto também registra que, nesta semana, a Casa Branca fez acusações semelhantes. Em resposta, a Embaixada da China em Washington classificou as declarações como alegações infundadas e disse que Pequim atribui grande importância à proteção dos direitos de propriedade intelectual.
O que o documento diplomático diz sobre os riscos?
O cabo afirma que modelos desenvolvidos a partir de campanhas de destilação não autorizadas podem permitir que agentes estrangeiros lancem produtos com desempenho aparentemente comparável em benchmarks selecionados, mas por uma fração do custo. O texto também sustenta que esse tipo de processo pode retirar protocolos de segurança dos sistemas resultantes.
“Um pedido e uma mensagem de protesto separados foram enviados a Pequim para serem discutidos com a China”, afirma o documento.
“Modelos de IA desenvolvidos a partir de campanhas de destilação sub-reptícias e não autorizadas permitem que atores estrangeiros lancem produtos que parecem ter desempenho comparável em benchmarks selecionados por uma fração do custo, mas não replicam o desempenho completo do sistema original”, disse o documento.
De acordo com a reportagem, o teor do material indica que a administração de Donald Trump está tratando com seriedade as preocupações relacionadas à destilação chinesa de modelos americanos. O caso surge em um momento sensível da disputa tecnológica entre as duas potências.
Como esse episódio se encaixa na disputa entre EUA e China?
O texto também relembra um alerta anterior da OpenAI a legisladores americanos. Segundo a Reuters, em fevereiro, a empresa afirmou que a DeepSeek estaria mirando a fabricante do ChatGPT e outras companhias de IA dos Estados Unidos para replicar modelos e usá-los em seu próprio treinamento.
A divulgação do memorando e de um documento complementar ocorreu poucas semanas antes de uma visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, segundo a reportagem. Para o texto original, isso tende a aumentar a tensão em uma disputa tecnológica de longa duração, mesmo após uma distensão negociada em outubro do ano passado.
- O alerta foi enviado a postos diplomáticos e consulares dos EUA.
- O documento cita DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax.
- A Embaixada da China chamou as acusações de infundadas.
- A OpenAI já havia feito alerta semelhante, segundo a Reuters.