Um artigo de opinião publicado neste sábado, 12 de abril de 2026, sustenta que o Brasil tem condições estruturais para adotar uma estratégia de desenvolvimento baseada na combinação entre Estado forte e mercado, mas segue caminho oposto ao enfraquecer setores estratégicos e reduzir o papel estatal. O texto é assinado pelo economista aposentado Cláudio da Costa Oliveira e foi publicado pelo Monitor Mercantil. De acordo com informações do Monitor Mercantil, a avaliação compara o desempenho de grandes economias emergentes na última década para defender esse modelo.
No artigo, o autor afirma que países como China, Índia, Indonésia e Turquia tiveram crescimento superior ao do Brasil sem seguir, segundo ele, um receituário liberal clássico. A argumentação apresentada é a de que essas nações mantêm forte presença do Estado em áreas consideradas estratégicas, como energia, crédito e infraestrutura, ao mesmo tempo em que preservam mecanismos de mercado.
Quais países são citados como exemplo no artigo?
O texto menciona quatro países como referência de crescimento na última década e atribui esse desempenho a uma combinação entre ação estatal e atividade de mercado. Segundo o artigo, a China teria crescido cerca de 70%, a Índia aproximadamente 100%, a Indonésia em torno de 60% e a Turquia perto de 55%.
Na comparação feita pelo autor, o Brasil teria avançado entre 15% e 20% no mesmo período, ficando abaixo das economias emergentes citadas. A conclusão defendida no artigo é que esse resultado não seria casual, mas consequência de uma escolha de modelo econômico.
Como o texto descreve o papel do Estado?
O artigo sustenta que empresas estatais e políticas públicas direcionadas não devem ser tratadas como entraves, mas como instrumentos de desenvolvimento. Na avaliação do autor, os países mencionados não deixam setores como energia, crédito e infraestrutura exclusivamente sob a lógica de mercado.
Entre os pontos destacados no texto, aparecem:
- controle de setores estratégicos;
- presença relevante de empresas estatais;
- política industrial ativa;
- direcionamento de crédito;
- tratamento da infraestrutura como tema de soberania.
Ao desenvolver essa linha de raciocínio, o autor afirma que esse arranjo não corresponderia nem a um modelo socialista clássico nem a um modelo liberal puro, mas a uma combinação pragmática entre as duas dimensões.
Qual é a crítica feita ao Brasil?
Na opinião exposta pelo texto, o Brasil dispõe de território continental, recursos naturais abundantes, base energética privilegiada e mercado interno relevante. Apesar disso, o autor argumenta que o país estaria abrindo mão dessas vantagens ao enfraquecer o Estado e reduzir sua atuação em áreas estratégicas.
O artigo diz ainda que o país segue um modelo que, na visão do economista, não tem gerado crescimento consistente. A crítica central é que o Brasil continuaria reproduzindo fórmulas econômicas que, segundo o autor, não produziram os mesmos resultados observados em outras grandes economias emergentes.
O que diz a conclusão do autor?
Na parte final, o artigo resume a tese de que as economias emergentes com maior crescimento recente não adotaram um receituário liberal puro. Em vez disso, teriam combinado mercado com direção estatal. O texto conclui que esse seria o modelo que, na visão do autor, está apresentando resultados mais robustos.
“Na última década, China, Índia, Indonésia e Turquia cresceram entre 55% e 100%. Nenhum desses países seguiu o receituário liberal puro. Todos combinam Estado forte com mercado — e é exatamente isso que está funcionando.”
O artigo também encerra com uma avaliação crítica sobre o rumo adotado pelo país, ao afirmar que o problema do Brasil não seria falta de recursos, mas de orientação econômica. Trata-se de um texto opinativo, assinado por Cláudio da Costa Oliveira, e publicado na seção de opinião do Monitor Mercantil.