O Estadão tem evitado mencionar o nome do governador Tarcísio de Freitas em suas editoriais sobre o envolvimento da Polícia Militar com o PCC. A discussão ganhou força após a Operação Carbono Oculto revelar suspeitas de lavagem de dinheiro na Faria Lima, supostamente acobertadas pela Polícia Militar sob o comando de Tarcísio. Segundo uma investigação conduzida pelo promotor Lincoln Gakiya, especializado em crime organizado, membros da elite da PM paulista, a Rota, vazavam informações para o PCC em troca de pagamentos, chegando a cifras de R$ 5 milhões.
A DCM relata que, diante das evidências, o governo trocou o comando policial, substituindo o coronel José Augusto Coutinho pela coronel Glauce Anselmo Cavalli. Essa iniciativa foi elogiada pelo Estadão, que em editorial citou apenas essa mudança sem mencionar diretamente Tarcísio de Freitas. A omissão levanta questões sobre a responsabilidade de Tarcísio como governador e líder da Polícia Militar, que, conforme o jornalista Moisés Mendes, é a mais letal do Brasil e acumula denúncias de corrupção.
Qual foi o papel da Polícia Militar na proteção ao PCC?
Segundo promotor Lincoln Gakiya, a Polícia Militar paulista, em especial a Rota, vazava informações sensíveis para o PCC, com alguns policiais oferecendo proteção a membros da facção. Esses serviços eram remunerados, e, como exemplo, uma gravação secreta de uma reunião acabou sendo vendida à liderança do PCC por R$ 5 milhões. De acordo com as investigações, havia uma facção dentro da corporação atuando como intermediária entre os policiais e o crime organizado, divulgando dados valiosos em relação às ações policiais.
Como o Estadão tem relatado o caso?
No editorial com o título “Há algo de podre na Polícia Militar”, o Estadão revelou pela primeira vez essas suspeitas de envolvimento da PM com o PCC. No entanto, o periódico tem recebido críticas por não contextualizar a responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas, que comanda a corporação. Segundo Moisés Mendes, a postura do jornal contrasta com a abordagem rigorosa que utilizaria se a Polícia Federal estivesse envolvida em um caso semelhante.
O que ocorre com as investigações sobre a Faria Lima?
As avaliações sobre o envolvimento da Faria Lima, famoso centro financeiro de São Paulo, na lavagem de dinheiro do PCC continuam em andamento sob o comando da Polícia Federal. Fintechs localizadas na área estão sendo investigadas desde agosto, embora o tema tenha saído de foco na mídia, o que, segundo algumas análises, deve-se ao casuísmo midiático, ao evitar confrontos com o setor financeiro.