A escassez de memória RAM deve continuar nos próximos anos, com impacto sobre os preços de computadores e outros eletrônicos, segundo um relatório citado pela imprensa internacional sobre o mercado de memória no Leste Asiático. O quadro envolve demanda elevada, avanço mais lento da produção e projetos industriais que ainda não entraram em operação em larga escala. De acordo com informações da Gizmodo US, com base em reportagem da Nikkei Asia, a normalização entre oferta e demanda não é esperada antes de 2028.
O cenário ajuda a explicar a manutenção de preços mais altos em produtos de tecnologia. A reportagem afirma que aumentos recentes nos custos de memória e de componentes já foram repassados por empresas do setor. Entre os exemplos citados, a Microsoft informou elevação de preços de até US$ 500 na linha Surface, enquanto a Raspberry Pi registrou alta de até US$ 150 em seus produtos. A Meta também atribuiu à escassez de memória um reajuste de US$ 100 no headset Quest 3. Já o MacBook Neo, da Apple, é apontado no texto como uma exceção entre os lançamentos de menor preço.
Por que a oferta de RAM não acompanha a demanda?
Segundo a Nikkei Asia, a produção de memória precisaria crescer 12% ao ano até o fim de 2027 para acompanhar a demanda, mas o ritmo atual estaria em 7,5%. O descompasso reforça a dificuldade do setor em ampliar a oferta no curto prazo, mesmo com investimentos em novas estruturas industriais.
A publicação também aponta uma diferença de 40% entre oferta e demanda no período atual. Entre os fatores mencionados estão o avanço da demanda ligada à inteligência artificial e os efeitos da instabilidade no Oriente Médio sobre os custos de eletricidade e materiais. Nesse contexto, a pressão sobre a cadeia de suprimentos tende a permanecer.
- Demanda elevada por memória ligada à inteligência artificial
- Crescimento da produção abaixo do necessário
- Custos maiores de energia e materiais
- Expansão industrial ainda sem efeito pleno no mercado
Qual é o papel da Samsung nesse mercado?
A Samsung, apontada como a maior produtora mundial de RAM, mantém um grande projeto em andamento no complexo fabril de Pyeongtaek, na Coreia do Sul. No entanto, de acordo com a Nikkei Asia, a produção em massa em escala total de memória nesse complexo não deve começar antes do próximo ano. Isso reduz a perspectiva de alívio mais rápido para a oferta global.
Além disso, a Reuters informou nesta semana, segundo o texto reproduzido pela Gizmodo US, que a Samsung acionou a Justiça para tentar impedir ações que classificou como ilegais por parte de organizadores trabalhistas em Pyeongtaek. O sindicato, por sua vez, chamou a medida judicial de “declaração de guerra”.
“declaration of war.”
Quando o mercado pode se normalizar?
No segmento mais avançado, o relatório indica que clientes de inteligência artificial não devem receber do complexo de Pyeongtaek os produtos mais recentes antes de 2028, quando a Samsung prevê lançar DRAM HBM, memória de alta largura de banda voltada a processadores de IA de ponta.
A reportagem também afirma que a Samsung, em alguns momentos, pareceu não priorizar a produção de HBM DRAM para clientes de inteligência artificial, o que abriu espaço para concorrentes como a SK Hynix. Segundo a Nikkei Asia, a unidade da empresa em Cheongju seguirá como a única fonte relevante de HBM ao longo do restante de 2026.
Com base em comentários de MS Hwang, da Counterpoint Research, a conclusão apresentada pela Nikkei Asia é que a normalização entre oferta e demanda não deve ocorrer antes de 2028. Até lá, o mercado de memória tende a seguir pressionado por gargalos produtivos e pela disputa entre a demanda de eletrônicos de consumo e a expansão da infraestrutura ligada à inteligência artificial.