A Energy Vault, fornecedora de soluções de armazenamento de energia em escala de rede, anunciou a aquisição de um portfólio de 850 megawatts (MW) em projetos de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Japão. A transação marca a entrada formal da companhia no mercado japonês, com o objetivo de aproveitar a crescente necessidade de flexibilidade energética e a rápida expansão de fontes renováveis no país asiático.
De acordo com informações do ESG Today, a aquisição envolve projetos comprados de um desenvolvedor local. Este movimento estratégico não apenas expande a presença global da empresa, mas também integra uma equipe especializada com profundo conhecimento da infraestrutura energética japonesa.
Por que a Energy Vault escolheu o mercado de armazenamento do Japão?
A decisão de investir no Japão é impulsionada por características únicas do mercado local. A empresa identificou oportunidades significativas devido a restrições crescentes na rede elétrica e à rápida penetração de fontes de energia limpa. Além disso, as projeções do setor indicam uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de mais de 50% na capacidade de instalações BESS no país.
Além do armazenamento de energia tradicional, a companhia também planeja focar no mercado de computação de inteligência artificial (IA), que apresenta alto índice de expansão. Este setor representa uma via suplementar para os negócios, uma vez que a infraestrutura de IA exige suprimentos de energia substanciais e ininterruptos para operar com eficiência.
“Entrar no mercado japonês é um componente fundamental de nossa estratégia de expansão em mercados de alto crescimento e representa uma das oportunidades mais atraentes de crescimento em armazenamento de energia globalmente. Esta aquisição nos fornece uma posição de liderança fundamental no Japão, com projetos de armazenamento avançados e atraentes, juntamente com as capacidades críticas de execução local necessárias para entregar os mais altos níveis de desempenho no mercado japonês de BESS”
A declaração acima foi feita por Robert Piconi, presidente e diretor executivo da companhia, ao comentar sobre as perspectivas de atuação no continente asiático.
Como está estruturado o portfólio de 850 MW adquirido?
A transação engloba um conjunto diversificado de ativos em diferentes estágios de desenvolvimento e licenciamento. O portfólio assumido pela provedora está dividido da seguinte maneira:
- 350 MW concentrados em projetos de BESS em estágio avançado.
- O início da construção dos projetos avançados está previsto para o segundo semestre de 2027.
- As operações comerciais dessas unidades iniciais devem começar a partir do segundo semestre de 2028.
- 500 MW alocados em projetos de BESS em fase inicial, que serão desenvolvidos posteriormente.
Junto aos ativos físicos e operacionais, o acordo comercial garante a integração de uma equipe estabelecida de especialistas locais em energia. Este grupo fornecerá conhecimento prático no território japonês, navegando por direitos fundiários, gerenciando processos complexos de licenciamento e lidando com as interconexões de serviços públicos.
Qual é o impacto financeiro e global da operação?
Com a concretização do negócio, o portfólio global de ativos próprios da empresa — que abrange infraestrutura de armazenamento de energia e computação digital de IA em operação ou em construção — ultrapassará a marca de um gigawatt (GW). O volume consolida a expansão operacional em continentes estratégicos.
Do ponto de vista financeiro, a expectativa é de retorno expressivo em médio prazo. Assim que os projetos estiverem totalmente construídos e operacionais, no decorrer dos próximos 12 a 36 meses, a estimativa é que os ativos gerem mais de US$ 180 milhões em fluxos anuais e recorrentes de EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização).
“Apesar de ser uma economia altamente desenvolvida, o mercado de armazenamento de energia do Japão permanece significativamente subpenetrado e agora está entrando em um período de crescimento acelerado impulsionado pela expansão das energias renováveis e restrições estruturais da rede. É importante ressaltar que a demanda de armazenamento no Japão não está ligada ao crescimento da carga, mas à crescente necessidade de flexibilidade, resiliência e estabilidade do sistema — criando um poderoso vento a favor de crescimento de longo prazo para nosso amplo portfólio de soluções”
Concluiu Piconi, destacando que a resiliência do sistema energético é o fator determinante para a demanda de soluções em baterias na região.