A expansão da energia solar residencial em Massachusetts tem esbarrado em custos inesperados de conexão à rede elétrica, mesmo após meses de planejamento e aprovação de financiamento. O caso de Abe Walters, relatado em 10 de abril de 2026, mostra como um projeto de cerca de R$ 100 mil em dólar equivalente no texto original — descrito como US$ 100 mil — pode ser afetado por uma cobrança adicional de US$ 12 mil exigida pela concessionária National Grid para a troca de um transformador. De acordo com informações do CleanTechnica, a cobrança foi apresentada na etapa final do processo de interconexão.
Walters, morador de Massachusetts, já tinha um pequeno sistema solar no telhado, mas decidiu ampliá-lo e adicionar baterias. Segundo o texto, ele também possui dois veículos elétricos e instalou uma bomba de calor para aquecer e resfriar a casa. A expectativa era reduzir pela metade a conta de energia ao longo dos próximos 20 anos, em um estado descrito como um dos que têm as tarifas de eletricidade mais altas dos Estados Unidos.
Por que o processo de instalação virou um problema?
Antes mesmo da etapa de conexão à rede, Walters passou por um processo demorado para viabilizar o projeto. Ele buscou orçamentos com diferentes instaladores e analisou mudanças em créditos tributários para tornar o investimento financeiramente viável. Em seguida, pediu um empréstimo ao Massachusetts Community Climate Bank, processo que, segundo o relato, levou cerca de oito meses até a aprovação final.
Quando os recursos já estavam disponíveis e a empresa instaladora estava pronta para iniciar a obra, surgiu a exigência da National Grid: para que o sistema pudesse ser conectado à rede e a energia excedente fosse devolvida ao sistema elétrico, seria necessário substituir o transformador que atende a residência. O custo informado foi de US$ 12 mil, valor que não havia sido incluído no financiamento.
“I almost want to cry because this is the right thing to do,” said Walters, “When I found out about the loan, I was like, ‘I cannot afford not to do this.’ The economics are just compelling. It’s the right thing to do, in my pocketbook and in my heart and in my head.”
Como as regras atuais distribuem esses custos?
O texto afirma que, em Massachusetts, assim como em outros estados, as concessionárias podem repassar ao cliente todo o custo de melhorias necessárias para a conexão do sistema solar. Isso ocorre mesmo quando a infraestrutura modernizada, como um transformador, passa a beneficiar várias casas e estabelecimentos.
Na prática, isso cria uma situação em que o custo depende do momento em que cada morador entra na fila para instalar o sistema. Se um primeiro vizinho consome parte da capacidade disponível sem acionar a necessidade de troca do equipamento, o próximo pode ser o responsável por ultrapassar o limite e, por isso, arcar sozinho com a atualização. Quem vier depois poderá aproveitar a capacidade ampliada sem pagar por ela.
“It’s like Russian roulette,” Ben Underwood of Resonant Energy in Boston told the Commonwealth Beacon.
Ben Underwood, da Resonant Energy, afirmou ao Commonwealth Beacon que esse modelo pode até gerar atritos entre vizinhos. Segundo ele, o ponto central não é buscar gratuidade, mas uma divisão mais equitativa dos custos.
Que proposta está em discussão para mudar o sistema?
Uma proposta apresentada ao Department of Public Utilities, o DPU, tenta alterar a forma de rateio dessas despesas. O grupo Interconnection Implementation Review Group defende que clientes residenciais da National Grid, Unitil e Eversource que desejem instalar sistemas solares paguem uma taxa de US$ 225. Esse valor serviria para cobrir melhorias na rede de até US$ 10 mil por projeto.
De acordo com a reportagem, estados como Connecticut, Maine e Minnesota adotaram programas semelhantes para evitar que custos de última hora recaiam integralmente sobre consumidores individuais. A National Grid informou que, entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, 649 de 703 pedidos exigiram melhorias de rede com custo de até US$ 10 mil.
- Taxa proposta por projeto residencial: US$ 225
- Cobertura prevista para melhorias na rede: até US$ 10 mil
- Concessionárias abrangidas: National Grid, Unitil e Eversource
- Período citado pela National Grid: janeiro de 2024 a setembro de 2025
Segundo o texto, se esse modelo já estivesse em vigor, Walters precisaria pagar apenas o valor que excedesse US$ 10 mil. Em mensagem citada pela reportagem, Michael Judge, subsecretário de energia de Massachusetts, disse a Walters que é “muito provável” que o DPU aprove a proposta como foi apresentada ou com pequenas modificações, embora sem definir prazo nem assegurar o impacto sobre projetos já em andamento.
Por que o tema ganhou urgência em Massachusetts?
A discussão ocorre em um momento de pressão sobre o custo da energia no estado. A reportagem afirma que moradores de Massachusetts estão entre os que pagam as tarifas de eletricidade mais elevadas do país, com base em dados recentes do Lawrence Berkeley National Laboratory, e que a acessibilidade da energia se tornou a principal preocupação doméstica em pesquisa mencionada no texto.
Para representantes do setor, a energia solar residencial não está paralisada, mas o problema da interconexão se tornou relevante o suficiente para exigir resposta regulatória. O caso de Walters é apresentado como exemplo de uma barreira final que pode comprometer projetos de eletrificação residencial e adoção de fontes renováveis, mesmo quando o consumidor já cumpriu as etapas técnicas e financeiras exigidas.