O economista Wilson Suzigan, reconhecido como uma das maiores autoridades brasileiras em política industrial e desenvolvimento econômico, faleceu nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026. Suzigan, que detinha o título de professor emérito da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), deixou um legado intelectual profundo na academia e na formulação de diretrizes para a industrialização nacional. A confirmação do óbito foi divulgada por meio de notas institucionais que destacam sua trajetória de excelência e dedicação ao pensamento econômico do país.
De acordo com informações do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a instituição manifestou profundo pesar pela perda do profissional que integrou seu quadro técnico no início da carreira. Suzigan foi fundamental para a consolidação de estudos sobre a estrutura produtiva brasileira, colaborando ativamente para que o instituto se tornasse um centro de referência em planejamento e pesquisa econômica aplicada.
Qual foi o legado de Wilson Suzigan para a economia brasileira?
A contribuição de Wilson Suzigan estende-se por mais de cinco décadas de atuação ininterrupta. Ele é amplamente citado em bibliografias acadêmicas por suas análises sobre a história da indústria no Brasil, desde os períodos de substituição de importações até os desafios contemporâneos da competitividade global. Sua obra é considerada essencial para compreender como o país estruturou seus parques industriais e quais foram os erros e acertos das políticas governamentais ao longo do século XX.
Como docente e pesquisador no Instituto de Economia da Unicamp, o professor formou gerações de economistas, muitos dos quais ocupam hoje cargos de relevância em órgãos governamentais, instituições financeiras e centros de pesquisa internacionais. O reconhecimento máximo de sua carreira acadêmica ocorreu em 2024, quando recebeu o título de professor emérito da universidade campineira, uma honraria concedida apenas a intelectuais que prestaram serviços extraordinários à ciência e ao ensino.
Como a trajetória do economista influenciou as políticas públicas?
Suzigan não se limitou ao ambiente teórico das salas de aula. Sua visão sobre o desenvolvimento econômico sempre esteve pautada pela necessidade de o Estado brasileiro atuar de forma estratégica para fomentar a inovação e o crescimento sustentado. Ele defendia que a industrialização não era apenas um fim em si mesmo, mas um meio para promover o progresso social e a soberania tecnológica da nação.
A influência do professor pode ser verificada nos seguintes pontos centrais de sua atuação profissional:
- Desenvolvimento de metodologias para análise de cadeias produtivas complexas;
- Estudos pioneiros sobre o impacto da política cambial na competitividade industrial;
- Fomento ao debate sobre a necessidade de reformas estruturais para o setor produtivo;
- Orientação de teses e dissertações que mapearam a desindustrialização precoce no país;
- Participação em conselhos técnicos que subsidiaram decisões do Ministério do Desenvolvimento.
Quais foram as reações institucionais à perda do pesquisador?
O Ipea expressou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Suzigan, reforçando que sua partida representa uma lacuna imensa para a ciência econômica. O instituto ressaltou que o compromisso do economista com o rigor metodológico e com o desenvolvimento nacional servirá de inspiração para futuros pesquisadores que buscam soluções para os dilemas da economia brasileira.
Na Unicamp, colegas de departamento lembraram o professor como uma figura generosa e de intelecto brilhante. A universidade destacou que Suzigan manteve-se ativo intelectualmente, participando de seminários e discussões mesmo após a aposentadoria formal. O funeral e as homenagens póstumas devem reunir autoridades, acadêmicos e ex-alunos que reconhecem em Wilson Suzigan um dos pilares do pensamento desenvolvimentista moderno.
Ao longo de sua vida, o economista sempre manteve a premissa de que o Brasil possui potencial para figurar entre as grandes economias industriais do mundo, desde que houvesse clareza de propósito e investimento em conhecimento. Sua morte encerra um capítulo importante da história do pensamento econômico, mas suas obras permanecem como guia para as próximas décadas de debate nacional.