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E-commerce na América Latina tem a logística como motor para a próxima década

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O crescimento do comércio eletrônico na América Latina na próxima década dependerá de investimentos em infraestrutura básica em vez de focar apenas em tecnologias do futuro. A avaliação parte de Fernando Yunes, vice-presidente executivo de commerce do Mercado Livre, que aponta a logística, a inclusão financeira e a oferta de itens do cotidiano como os verdadeiros motores do setor. De acordo com informações do Valor Empresas, a penetração do varejo digital na região ainda é de 14%, menos da metade dos índices registrados na China e nos Estados Unidos.

Qual é a projeção financeira para o comércio eletrônico na região?

A lacuna atual representa uma enorme oportunidade estrutural para o varejo global. Projeções do Morgan Stanley indicam que o valor bruto de mercadorias movimentadas digitalmente na região deve alcançar US$ 310 bilhões até o ano de 2029. O montante representa um crescimento de 53% em relação aos níveis financeiros atuais do mercado virtual.

O Brasil atua como o principal eixo central deste avanço econômico. A estimativa da instituição financeira é que o mercado brasileiro eleve sua fatia de compras online para 19% nos próximos quatro anos, adicionando dezenas de milhões de novos consumidores ao cenário digital diário.

Quais são os fatores essenciais para o avanço do setor?

Para que o potencial de faturamento se concretize e crie sustentabilidade comercial, analistas apontam que o segmento precisa avançar em três frentes principais de forma imediata.

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  • Logística: Necessidade de entregas no mesmo dia ou em até 48 horas como padrão mínimo para os clientes.
  • Sortimento: Expansão de categorias de uso contínuo, englobando compras de supermercados e itens farmacêuticos.
  • Inclusão financeira: Democratização do acesso ao crédito em países com elevada exclusão bancária.

No quesito logístico, o Banco Mundial classifica o Brasil no 51º lugar em eficiência, enquanto o México ocupa a 66ª posição. Para contornar as dimensões continentais e acelerar despachos de encomendas, empresas ampliam suas estruturas próprias. A consolidação de malhas de distribuição fulfillment tem sido decisiva, com expectativas de aumento de galpões operacionais no território brasileiro até o encerramento do ano.

Por que os itens de supermercado e farmácia são cruciais para o e-commerce?

Historicamente associado à venda de eletrônicos e peças de moda, o e-commerce encontra nas compras rotineiras a sua próxima fronteira de crescimento. A venda digital de alimentos na América Latina ainda atinge apenas um dígito percentual de penetração comercial. Trata-se de uma das maiores oportunidades mundiais para a migração de consumo do meio físico para o ambiente virtual.

O cenário de saúde também ilustra o potencial de mercado. No Brasil, cerca de 13% dos municípios não contam com farmácias físicas. O comércio virtual surge como solução para esse gargalo geográfico e de acesso. Além de suprir a carência de abastecimento, a compra recorrente de itens essenciais gera um hábito de consumo constante.

Varejo do futuro será definido pela capacidade de integrar o invisível e entregar o que o consumidor vê

, atesta a publicação.

Como o acesso ao crédito afeta as vendas virtuais?

A falta de acesso a serviços bancários tradicionais limita severamente a base de clientes do varejo online. Dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento revelam que cerca de 45% da população latino-americana não possui conta em banco e 80% vive sem acesso a cartões de crédito. Países como México e Argentina lideram essas estatísticas de desbancarização.

Apesar de o Brasil despontar como o mercado de serviços financeiros digitais mais avançado do continente, a aprovação de empréstimos e limites continua profundamente desigual. A adoção de modelos de análise de risco baseados em dados transacionais aparece como ferramenta primária para inserir as classes C e D no ambiente de compras. O objetivo final do ecossistema é colocar o público da região no centro de uma infraestrutura de consumo de classe mundial nos próximos anos.

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