Duolingo desistiu de incluir o uso de inteligência artificial como critério central nas avaliações de desempenho de funcionários, após confusão interna e resistência de equipes, segundo declarou o CEO Luis von Ahn em episódio recente do podcast Silicon Valley Girl, publicado em 15 de abril de 2026. A mudança ocorreu depois de a empresa perceber que a política podia priorizar o uso da ferramenta, e não os resultados concretos do trabalho.
De acordo com informações da TechRadar, von Ahn afirmou que a empresa recuou ao notar um desencontro entre a intenção da liderança e a experiência dos empregados no dia a dia. A companhia continua a considerar a IA parte de sua estratégia, mas deixou de tratá-la como indicador principal de performance.
“At the end, we backtracked, and we said, ‘No. Look, the most important thing in your performance is that you are doing whatever your job is as well as possible. A lot of times, AI can help you with that. But if it can’t, I’m not going to force you to do that,’” von Ahn said.
“It felt like rather than being held accountable for the actual outcome, we’re trying to just push something that in some cases did not fit.”
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Por que o Duolingo mudou de posição sobre IA no trabalho?
A proposta inicial era alinhar a empresa a uma lógica descrita como “AI-first”, com incentivo ao uso de inteligência artificial no cotidiano profissional. Na prática, porém, surgiram dúvidas entre os funcionários sobre o que de fato estava sendo medido. O ponto central era saber se demonstrar uso frequente de IA equivaleria, necessariamente, a melhorar a qualidade do trabalho entregue.
Segundo o relato atribuído a von Ahn, ferramentas pensadas para ajudar passaram a ser percebidas como exigência. Esse cenário levou a um descompasso entre o objetivo da política e a forma como ela era recebida internamente. Em vez de reforçar produtividade com critério, a medida gerou questionamentos sobre a utilidade de cobrar adoção de tecnologia em tarefas nas quais ela nem sempre se encaixa.
O que muda nas avaliações de desempenho dos funcionários?
Com o recuo, o foco volta a ser a qualidade do trabalho e os resultados obtidos, e não a quantidade de uso de uma ferramenta específica ao longo do processo. A IA segue presente na estratégia do Duolingo, mas deixa de funcionar como atalho para medir desempenho profissional.
Esse reposicionamento sugere uma adoção mais pragmática da tecnologia. Em vez de impor o uso em todas as etapas de trabalho, a empresa passa a reconhecer que há situações em que a inteligência artificial pode contribuir e outras em que sua aplicação não traz benefício claro.
- O uso de IA não será mais o centro da avaliação de desempenho.
- O critério principal volta a ser a execução do trabalho e seus resultados.
- A tecnologia permanece na estratégia da empresa, mas sem imposição universal.
O caso do Duolingo reflete um debate maior no setor de tecnologia?
O episódio ocorre em meio a uma corrida mais ampla de empresas de tecnologia para incorporar IA às rotinas de trabalho. Nesse movimento, um dos principais desafios tem sido definir como medir sucesso. Contabilizar uso de ferramentas é simples, mas avaliar impacto real sobre produtividade, qualidade e eficiência é mais complexo.
As declarações de von Ahn, conforme reproduzidas pela TechRadar, reforçam a percepção de que a integração da IA ao ambiente corporativo não segue um caminho linear. A empresa não abandonou a tecnologia, mas ajustou o discurso e a prática após identificar que entusiasmo inicial não bastava para justificar uma política de avaliação.
O recuo também recoloca em destaque uma discussão recorrente no setor: a de que a inteligência artificial pode ampliar o trabalho humano, sem necessariamente substituí-lo nem servir como métrica automática de mérito profissional. No caso relatado, a revisão da política ocorreu justamente porque a liderança concluiu que o uso da ferramenta, por si só, não garante melhor desempenho.
Ao mudar de curso, o Duolingo passa a adotar uma posição mais centrada na adequação do recurso a cada contexto de trabalho. A decisão não encerra o debate sobre os efeitos da IA nas relações profissionais, mas sinaliza uma tentativa de equilibrar adoção tecnológica com critérios mais objetivos de avaliação.