Doença de Chagas: especialista alerta para riscos cardíacos e prevenção no Pará - Brasileira.News
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Doença de Chagas: especialista alerta para riscos cardíacos e prevenção no Pará

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A **doença de Chagas**, infecção causada pelo protozoário **Trypanosoma cruzi**, exige atenção redobrada na região amazônica, especialmente devido à transmissão por alimentos contaminados. De acordo com informações da Agência Pará, o alerta foi reforçado por especialistas do **Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC)**, em Belém, que destacam a importância do diagnóstico precoce para evitar o agravamento do quadro clínico, que pode levar a sérias complicações cardíacas.

A cardiologista **Dilma Souza** ressalta que a patologia costuma evoluir de maneira silenciosa. Na fase aguda, o paciente pode apresentar febre persistente por mais de sete dias, inchaço facial e cansaço intenso. A transmissão ocorre com frequência pela ingestão de açaí sem a higienização correta, processo conhecido como branqueamento, que consiste no tratamento térmico do fruto para eliminar o parasita antes do consumo e comercialização.

Quais são os principais sintomas da doença de Chagas?

Os sinais iniciais podem ser confundidos com outras enfermidades, o que retarda a busca por auxílio especializado. Conforme detalhado pela médica do HC, o indivíduo infectado geralmente apresenta febre vespertina, edema de face que pode se estender para os membros inferiores, dores de cabeça e astenia profunda, que é caracterizada por um mal-estar generalizado e moleza no corpo.

Sobre as manifestações clínicas, a especialista descreve o quadro típico observado nos consultórios:

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Quando a pessoa está doente, pode apresentar febre por mais de sete dias, geralmente no período da tarde, o que chamamos de febre vespertina. O paciente pode apresentar inchaço no rosto, chamado de edema de face, que pode se estender para as pernas. Também podem surgir manchas no corpo, dor de cabeça e astenia, que é aquele cansaço intenso, um mal-estar, uma moleza.

Como a doença de Chagas afeta o funcionamento do coração?

O maior perigo da infecção reside no comprometimento do sistema cardiovascular. O parasita pode causar danos estruturais significativos, como a cardiomegalia, que consiste no aumento do tamanho do órgão, prejudicando sua capacidade de bombear o sangue. Além disso, a presença do protozoário pode desencadear arritmias graves e o acúmulo de líquido no pericárdio, a membrana que protege o coração.

A gravidade da condição é reforçada pela cardiologista ao listar os sinais de alerta cardíacos:

O paciente pode apresentar frequência cardíaca acelerada, que pode ser percebida ao palpar o pulso, além de arritmias, com o coração batendo de forma descompassada. O coração também pode aumentar de tamanho, o que chamamos de cardiomegalia. Pode haver ainda derrame pericárdico, que é o acúmulo de líquido na membrana que envolve o coração, além de falta de ar.

Quais são as medidas de prevenção e as opções de tratamento?

A prevenção primária foca na manipulação segura de alimentos. O branqueamento do açaí é a técnica mais eficaz para garantir a segurança do consumo. No que tange ao tratamento, o Brasil utiliza o medicamento benzonidazol, que deve ser administrado o mais cedo possível para elevar as chances de cura total. Os principais pontos sobre o protocolo terapêutico incluem:

  • Uso do medicamento benzonidazol por um período de aproximadamente 60 dias;
  • Dosagem calculada rigorosamente com base no peso corporal do paciente;
  • Acesso gratuito à medicação via vigilância epidemiológica municipal após diagnóstico;
  • Necessidade de acompanhamento médico contínuo para monitorar possíveis sequelas.

Qual a importância do diagnóstico precoce em casos suspeitos?

Casos reais demonstram como a confusão diagnóstica pode agravar a situação clínica. A servidora pública Rosicleide da Silva, de 55 anos, relatou que seus sintomas foram inicialmente confundidos com uma virose comum. Somente após a persistência da fraqueza e da febre é que a contaminação por açaí foi identificada, exigindo internação hospitalar devido ao comprometimento cardíaco.

A paciente descreveu as dificuldades enfrentadas durante o período de infecção aguda:

Eu comecei a sentir os sintomas da doença em dezembro. Comecei a adoecer e, a princípio, os médicos achavam que era um quadro clínico de virose. Mas, com o passar do tempo, não houve melhora clínica. Você sente muita fraqueza no corpo, cansaço, a pressão fica baixa. A gente acaba ficando muito debilitada por conta da febre, das dores nas articulações e da falta de apetite.

Atualmente, Rosicleide concluiu o tratamento contra o parasita, mas permanece sob supervisão médica para tratar as complicações cardíacas remanescentes. Paralelamente, o **Hospital de Clínicas Gaspar Vianna** mantém frentes de pesquisa para o desenvolvimento de novos fármacos, visando ampliar as taxas de cura e reduzir o impacto da doença de Chagas na saúde pública da região Norte.

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