O governo do Acre iniciou nesta sexta-feira, 24, em Rio Branco, um ciclo de capacitações para profissionais envolvidos no processo de doação de órgãos, com foco em qualificação técnica e acolhimento às famílias. A ação é conduzida pela Central Estadual de Transplantes do Acre (CET/AC), em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), e busca fortalecer a rede pública de atendimento e aprimorar as etapas que antecedem os transplantes. De acordo com informações do Acre (Gov), a abertura oficial ocorreu no Diff Hotel, na capital acreana.
O treinamento reúne profissionais como médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que atuam diretamente nas diferentes fases da doação de órgãos. Segundo o governo estadual, a proposta é melhorar a condução dos procedimentos e preparar as equipes para lidar com situações sensíveis, especialmente no contato com famílias em momento de luto.
O que a capacitação pretende mudar na rede de doação de órgãos?
A coordenadora da CET/AC, Celiane Alves, afirmou que a formação representa um passo importante para a estrutura de saúde do estado. Atualmente, o Acre realiza quatro modalidades de transplantes: fígado, rim, córnea e tecido musculoesquelético, também descrito no texto oficial como ósseo.
“Nossa ideia é capacitar os profissionais para que possamos trabalhar melhorando a doação de órgãos de forma contínua. Este é um momento ímpar de fortalecimento das nossas equipes. Queremos que o Acre seja referência não apenas na execução do transplante, mas em todo o processo que o antecede”, afirmou Celiane.
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O curso aborda etapas consideradas centrais para a captação de órgãos e para a condução segura dos protocolos assistenciais. Entre os temas previstos na programação, estão:
- comunicação em situações críticas, com orientação sobre a abordagem de famílias em luto;
- gerenciamento do processo de doação, incluindo logística e protocolos de segurança;
- diagnóstico de morte encefálica, com ênfase no rigor técnico e na transparência do procedimento.
Quais pontos do processo recebem mais atenção no treinamento?
De acordo com o material divulgado, a capacitação busca combinar conhecimento técnico e preparo humano. O objetivo é qualificar os profissionais que atuam na ponta do atendimento para que o processo de doação seja conduzido com segurança, clareza e sensibilidade.
O médico intensivista Hiago Bastos, coordenador da Central de Transplantes do Maranhão e um dos palestrantes do evento, destacou a importância da troca de experiências entre equipes de diferentes estados.
“Nossa expectativa é que, através desses cursos, possamos otimizar os indicadores locais, aumentar o número de doadores e, consequentemente, beneficiar mais vidas que aguardam na fila pelo transplante”, pontuou.
Por que o acolhimento das famílias é tratado como parte central da formação?
A presidente da AMIB no Acre e médica intensivista da UTI do Pronto-Socorro, Márcia Vasconcelos, ressaltou que o preparo emocional das equipes é necessário diante de um tema que ainda encontra resistência e sensibilidade entre familiares de potenciais doadores.
“Por se tratar de um assunto tão delicado e sensível para a população, capacitar as equipes traz benefícios imensos. Esses cursos nos ensinam a abordar melhor as famílias e a sensibilizar a sociedade. Quando estamos bem preparados, conseguimos transmitir a segurança necessária para que o ‘sim’ da família se transforme em esperança para quem precisa”, explicou Márcia.
Segundo a publicação oficial, o investimento em educação continuada é apresentado pelo governo acreano como parte da estratégia para qualificar o atendimento na rede pública e fortalecer a política de transplantes no estado. A iniciativa também reforça a atuação integrada entre profissionais de saúde que participam do diagnóstico, da comunicação com familiares e da logística envolvida na doação de órgãos.
Com a nova etapa de formação, o Acre busca aprimorar o funcionamento de sua rede estadual de transplantes a partir da preparação das equipes responsáveis por etapas decisivas do processo. A medida ocorre em um contexto em que o estado já realiza transplantes de fígado, rim, córnea e tecido musculoesquelético, e pretende ampliar a eficiência do atendimento relacionado à doação de órgãos.